Marqueteiros minimizam influência de levantamentos

Para eles, pesquisas são só termômetro, pois decisões sobre políticas públicas são tomadas pela convicção do político

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h10

Especialistas em pesquisas de opinião rejeitam a ideia de que governantes são influenciados por resultados de pesquisas de opinião. Para eles, as pesquisas quantitativas e qualitativas servem mais como um termômetro e as decisões sobre políticas públicas são tomadas, de fato, pela convicção do político.

"Os políticos quando querem decidir algo, eles decidem. Pesquisa é só mais um elemento de decisão. Quando o político está decidido a falar ele vai lá e fala. Existe na vida de todo mundo um piloto automático e se uma pesquisa sugerir que alguém saia desse piloto automático, não necessariamente a pessoa vai sair. Aliás, a exceção é que saia", diz o sociólogo Alberto Almeida, proprietário do Instituto Análise e do Instituto Virtú Análise, um dos que detém contrato com a Secom.

Popular no final. Almeida afirma que, na média, os governos têm de tomar mais medidas populares do que impopulares. "E ele vai tomar medidas impopulares no começo do governo. Mas do meio para o fim é necessário tomar medidas populares. Não é a pesquisa que define essa regra", afirmou.

Marcos Coimbra, do Vox Populi, que dentre outras contas atende o PT, disse que quase sempre as pesquisas são para orientar a estratégia de comunicação, "não para definir políticas públicas" e que, "no Brasil, raramente acontece de o governante submeter uma proposta polêmica a um teste de qualidade".

Para Antonio Lavareda, que tem entre seus clientes o PSDB e cuja empresa também fez pesquisas para o governador Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência, a opinião da sociedade é um vetor importante para elaboração e avaliação e acompanhamento de políticas públicas, mas os dados precisam ser analisados. "Não pode haver uma aplicação mecânica do seu resultado. Em muitos casos o governante tem muito mais informação do que está ali e em alguns momentos vai ter que fazer escolhas que contrariam a opinião pública."

O marqueteiro Luiz Gonzalez, estrategista das últimas principais campanhas presidenciais do PSDB, disse que as pesquisas são meros "instrumentos de informação". "O que cada um faz com as informações é outro problema". E acrescenta: "Pesquisas servem mesmo para confirmar ou rejeitar argumentos e raciocínios. Você faz pesquisas quando você quer testar a aceitação de um argumento que você já tem".

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