Marqueteiro grava na terra de Tancredo

Equipe do publicitário do PSDB vai a São João para explorar 'DNA político' de Aécio Neves

ISADORA PERON , ENVIADA ESPECIAL , SÃO JOÃO DEL-REI (MG), O Estado de S.Paulo

28 Abril 2013 | 02h04

Uma equipe que trabalha para o PSDB esteve há algumas semanas em São João del-Rei, a 187 quilômetros de Belo Horizonte, para gravar depoimentos sobre a relação do senador Aécio Neves, provável candidato tucano à Presidência, com o avô Tancredo Neves - primeiro civil eleito presidente da República após 21 anos de ditadura militar, mas que morreu antes de tomar posse. Amigos, parentes e até o coveiro que enterrou Tancredo foram entrevistados.

Uma das cenas foi gravada com a orquestra da cidade dentro da Igreja de São Francisco de Assis, santo do qual Tancredo era devoto. Ao lado dessa igreja fica o cemitério onde o então presidente eleito foi enterrado e que hoje é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade mineira.

Euclides Garcia de Lima, amigo da família e que foi pediatra de Aécio, disse ao Estado que contou em seu depoimento como Tancredo preparou o neto para ser o seu sucessor político e como fazia questão de tê-lo sempre ao seu lado. Quando Tancredo foi eleito governador de Minas, em 1983, Aécio foi promovido ao posto de seu secretário particular e tinha uma sala ao lado da dele no Palácio da Liberdade.

Sobrinho de Tancredo, Luiz Antonio Neves registrou em sua mensagem que Aécio, apesar de ter nascido em Belo Horizonte, adotou São João del-Rei como sua a cidade de coração.

João Aureliano Santos, o coveiro que no enterro de Tancredo ganhou fama ao protagonizar o sepultamento do então presidente, disse ter mostrado para as câmeras a pá com que cimentou o jazigo. Após 28 anos, ele guarda a ferramenta como uma relíquia. Mas admite que o objeto está à venda. O preço atual: R$ 50 mil.

Os entrevistados fizeram questão de ressaltar que São João del-Rei vê na possível candidatura de Aécio uma oportunidade de corrigir a fatalidade histórica que impediu Tancredo de assumir a Presidência. "Infelizmente Deus não quis naquela época, mas há de querer agora", resumiu Lima.

Os depoimentos na cidade mineira foram gravados pela equipe do publicitário Renato Pereira, contratado pelo PSDB para produzir os programas de TV e inserções nacionais da sigla, que vão ao ar a partir de 21 de maio. O contrato de Pereira com a legenda vai até junho, mas ele é um dos nomes mais cotados para estar à frente da campanha se Aécio for mesmo candidato em 2014.

Críticas. Apesar de ser figura muito querida em São João del-Rei, principalmente pelos que ainda têm na memória a ligação de Tancredo com a cidade, o senador tucano está longe de ser unanimidade na terra do avô.

No ano passado, o candidato a prefeito apoiado por Aécio não conseguiu se eleger e a cidade acabou caindo nas mãos de um petista. Helvécio Reis, ex-reitor da Universidade Federal de São João del-Rei, foi eleito com 56% dos votos e está dando início à primeira gestão do PT da cidade. O comentário que se faz pelas ruas estreitas e tortuosas do município histórico é que o novo prefeito não terá muita dificuldade em convencer boa parte dos 63 mil eleitores a votar na presidente Dilma Rousseff se ele fizer um bom mandato e der visibilidade aos programas sociais do governo federal.

Uma das críticas mais ouvidas pelo Estado em relação a Aécio é que ele poderia ter feito mais pela cidade durante seus dois mandatos como governador. Para a comerciante Ana Paula de Faria, que tem uma loja de doces típicos, a atividade turística poderia ter sido mais incentivada. O PSDB mineiro rebate, lembrando que na gestão de Aécio o aeroporto no município foi ampliado.

Outra queixa frequente entre os sanjoanenses é que o senador visita pouco a cidade. Maria Aparecida de Souza Gomes, empregada que toma conta há sete anos do Solar dos Neves - residência onde morou Tancredo - confirma que viu poucas vezes o senador por lá. Quando ele aparece, costuma ser só de passagem, diz ela, para alguma das muitas celebrações religiosas da cidade. Este ano ele foi à Procissão do Enterro, durante a Semana Santa. Percorrer a cidade segurando uma lanterna de prata foi uma tradição de família iniciada por Tancredo, que Aécio tenta seguir, mas sem a assiduidade do avô.

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