Mariz critica horário mais curto na Justiça

Criminalista define como 'vergonha' o fato de o Judiciário não ter ouvido os advogados sobre expediente forense menor

O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2013 | 02h05

O criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira chamou de "vergonha" o fato de o Conselho Superior da Magistratura de São Paulo não ter consultado a classe dos advogados antes de editar norma que decreta redução de duas horas na carga diária do expediente forense. É o mais duro ataque da advocacia contra a medida que entrou em vigor na semana passada. "A Justiça é serviço público, ela não existe para o Judiciário, existe para o cidadão", afirma Mariz de Oliveira.

O Conselho decretou que o atendimento para advogados, estagiários, procuradores e outros profissionais agora vai das 11 horas às 19. Antes, ia das 9 horas às 19. A cúpula do Judiciário alegou que os servidores estão estressados e sem tempo para organizar o extraordinário volume de ações. Em dezembro, a primeira instância recebeu 487.885 novos processos em 14 dias úteis.

Mariz prevê "graves problemas" para a advocacia. "Duas horas a menos no atendimento faz muita diferença. O juiz está estressado, mas em razão desse estresse ele vai trabalhar menos? Os advogados também estão cansados. O Judiciário age como se fosse o único responsável pela administração da Justiça e não é. O artigo 133 da Constituição impõe que a advocacia é indispensável à administração da Justiça."

O veterano criminalista recomenda a terceirização da administração do Judiciário. "É urgente, imprescindível. A Justiça tem que ser gerenciada por profissionais da administração. É uma vergonha não nos ouvirem. Esse desrespeito se deve às omissões constantes da advocacia nos últimos anos." / FAUSTO MACEDO

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