Marinha negocia compra de 3 navios

Embarcações, produzidas originalmente para Trinidad e Tobago, já estão prontas

ROBERTO GODOY, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h06

A Marinha do Brasil está negociando a compra de três navios de patrulha oceânica de 2 mil toneladas, classe Port of Spain, produzidos pelo grupo britânico Bae Systems originalmente para a força naval de Trinidad e Tobago. O governo tobaguiano desistiu do negócio por razões financeiras. As três unidades estão prontas e completaram os testes de mar em setembro de 2010, na Escócia.

A operação permitirá reduzir o custo do programa de renovação da frota da superfície, o Prosuper - estimado entre 4 bilhões e 6 bilhões - e ainda ganhar tempo na parte sensível do processo, o da ampliação da capacidade de patrulhamento em alto-mar, principalmente na região do pré-sal.

O Prosuper abrange 11 embarcações - cinco fragatas de 6 mil toneladas, cinco escoltas de 1.800 a 2 mil toneladas e um super navio de apoio de 22 mil toneladas, capaz de transportar a qualquer distância todo tipo de suprimentos necessários às operações da Marinha.

O negócio em andamento com a Bae Systems pode incluir quatro fragatas usadas Type 22 Série 3, recentemente desativadas pela marinha inglesa. Modernas e tecnologicamente revitalizadas, permitiriam a desativação dos equipamentos mais antigos da esquadra brasileira. Do grupo, três entrariam em ação quase imediata. A quarta fragata seria mantida como banco de peças, partes e componentes.

Oportunidade. Uma fonte do Ministério da Defesa admitiu ao Estado que a aquisição dos navios-patrulha "é de oportunidade", mas, se completada, abre a possibilidade de mais encomendas, de três a cinco unidades, que seriam construídas no Brasil por estaleiros privados e ampla transferência de tecnologia.

Cada navio mede 91 metros, leva cerca de 65 tripulantes e um helicóptero médio. Nos ensaios a velocidade máxima sustentada ficou em cerca de 28 km/hora. O armamento principal é um canhão 30mm na proa, mais dois menores, de 20mm e duas metralhadoras 12,7mm.

Os navios estão preparados para receber sistemas de mísseis e de lançamento de torpedos. O complexo eletrônico, radar e centro de combate, foi definido apenas como "adequado" por especialistas que destacam o fato desses recursos não seguirem a disposição padrão brasileira.

Enquanto isso, o Prosuper segue a agenda prevista há um ano. A escolha final, entre ofertas de Itália, Reino Unido, Alemanha, Coreia e França, sairá em 2012. A primeira fragata ficará pronta entre 2018 e 2019 - a entrega do navio patrulha ocorreria 12 meses antes. Esse aspecto do programa muda com a compra dos três navios da classe Port Of Spain.

A Marinha vai adquirir 24 unidades da mesma aeronave que venha a ser selecionada pela Força Aérea por meio da escolha F-X2, dos novos caças avançados, mas em versão embarcada para equipar um porta-aviões de 60 mil toneladas que planeja incorporar entre 2027 e 2031 - a nau capitânia da projetada 2.ª Frota, na foz do Amazonas.

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