Marina vive ‘real política’ antes de retomar projeto

Marina vive ‘real política’ antes de retomar projeto

Derrotada no 1º turno, ex-candidata do PSB saberá neste domingo resultado do apoio a Aécio Neves e terá seu peso político colocado à prova

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 16h11

A sonhática Marina Silva (PSB) vai ser lembrada nesta eleição pelo seu lado pragmático. Terceira colocada na corrida presidencial, não hesitou em declarar apoio a Aécio Neves no 2.º turno. Hoje, a força dessa aliança vai ser testada nas urnas e, consequentemente, o peso político da ex-ministra, que já concorreu duas vezes à Presidência, também será colocado à prova.

Se a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) se confirmar, Marina contabilizará a segunda derrota eleitoral no mesmo pleito. Os efeitos disso em seu futuro político, porém, só poderão ser mensurados com o tempo.

Marina também enfrentará dificuldades caso Aécio vença. Parte do seu grupo político, a Rede Sustentabilidade, foi contra o apoio ao tucano e chegou a dizer que a aliança com o PSDB colocaria em risco o projeto de transformar a Rede em um partido.

Apesar de a porta-voz do grupo, Gabriela Barbosa, garantir que a coleta de assinaturas para registrar a sigla será retomada assim que terminar as eleições, marineiros admitem que o processo não será simples e que demandará profunda reflexão sobre o papel que a Rede deseja desempenhar no espectro político brasileiro. Eles evitam comentar, por exemplo, a possibilidade de Marina assumir um ministério, como desejam os tucanos, caso Aécio vença. Hoje, a posição majoritária é que ela e a Rede devem manter uma postura independente, seja quem for o novo presidente. 

Manter a coerência com os preceitos da nova política, bandeira que levantou, foi o grande desafio enfrentado por Marina ao decidir se aliar a Aécio. Alçada candidata à Presidência após a morte de Eduardo Campos, fez campanha pautada na quebra da polarização. Diante das alianças fechadas entre PSB e PSDB, chegou a afirmar que não subiria “em hipótese alguma” no palanque de um tucano. Mas subiu.

No dia 5 de outubro, já fora do 2.º turno, em seu pronunciamento oficial afirmou que não ficaria neutra, como fizera em 2010, e defendeu que os brasileiros haviam demonstrado nas urnas desejo de mudança.

Marina descartou a hipótese de apoiar Dilma. Filiada ao PT por mais de duas décadas, ficou profundamente magoada com os ataques que sofreu dos seus antigos companheiros. 

Diante do pouco tempo de campanha no 2.º turno, Marina deu aval imediato para que os seus interlocutores conversassem com os tucanos. A mensagem que chegou ao PSDB é que ela estaria disposta a fazer campanha para Aécio se ele se comprometesse com algumas de suas bandeiras históricas. Em encontro com o ex-presidente Fernando Henrique, Marina discutiu pontos que considerava essenciais e deixou claro que Aécio precisaria fazer demonstração pública de que os aceitaria. 

Num ato marcado de simbolismo, o tucano foi ao Recife para se encontrar com a família de Campos e ler uma carta na qual se comprometia com as principais reivindicações da ex-ministra. Entre os compromissos assumidos, temas já esboçados no programa do PSDB, como o fim da reeleição e o desenvolvimento sustentável, e outros de pouca identificação com o partido, como a defesa dos direitos indígenas e da reforma agrária. 

Depois de todo esse ritual, Marina anunciou seu apoio a Aécio. Num ato em São Paulo, sem a presença do tucano, ela comparou o documento lido por Aécio em Pernambuco com à “Carta ao Povo Brasileiro” assinada pelo ex-presidente Luiz na campanha de 2002. No mesmo dia, as cenas foram exibidas na propaganda eleitoral do tucano.

Faltava, porém, um encontro entre os dois. Deixando de lado o coque que costuma usar. Marina apareceu no evento com o cabelo preso em um rabo de cavalo. Mas fez apenas um rápido pronunciamento. Por ela, teria encerrado ali a sua participação na campanha mas, a pedido do PSDB, gravou um último vídeo para o horário eleitoral de Aécio. 

Em seu depoimento, Marina afirma que Aécio assumiu “fortes compromissos” com as conquistas sociais. Quando as urnas forem abertas hoje, o País saberá se o selo de garantia da ex-ministra convenceu os seus 22 milhões de eleitores a votar no tucano. 

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PSB vai ter de encontrar o seu ‘novo lugar’

Com a morte de Eduardo Campos, sigla terá o desafio de se reposicionar no cenário político

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 16h23

O fim da eleição representará para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) o início de um novo capítulo da sua história. Com a morte repentina da sua maior liderança, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, a sigla terá o desafio de se reposicionar no cenário político, independentemente do resultado do pleito de hoje. 

Ao decidir apoiar o tucano Aécio Neves no 2.º turno, o partido poderá, pela primeira vez, fazer parte de um governo do PSDB, caso Aécio chegue ao poder. Nos dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), a sigla atuou na oposição.

Se a vitoriosa for a presidente Dilma Rousseff (PT), o partido também irá viver um momento diferente. Apesar de ter deixado a base aliada do governo no ano passado, quando Campos decidiu disputar a Presidência, o PSB sempre caminhou ao lado do PT, desde a primeira eleição do período democrático, em 1989. 

Diante desse histórico, o apoio a Aécio causou uma crise no partido. Importantes nomes do PSB, como o ex-ministro Roberto Amaral e a deputada Luiza Erundina, foram contra a aliança, chancelada pela maioria dos membros da Executiva e que contou com o aval da família de Campos.

Amaral, que perdeu a presidência da sigla por se opor à união com o tucano, tem feito as críticas mais duras à aliança. Segundo ele, o PSB “jogou no lixo” a sua história e “renunciou ao seu futuro”.

Ao participar de um ato de apoio à reeleição de Dilma em São Paulo, o ex-ministro foi ovacionado pela militância petista e disse que aquela era a escolha natural de todas as pessoas de esquerda da sigla. Em quatro Estados, o PSB optou por esse caminho: no Acre, na Bahia, no Amapá e na Paraíba.

O novo presidente da sigla, Carlos Siqueira, minimiza as divergências. “Não vai ser uma aliança, numa eleição, que vai mudar a natureza do partido, o aspecto socialista do PSB”, disse. Segundo ele, caso Aécio vença a eleição, o papel do PSB será puxar o PSDB para o campo da esquerda. “O que nós esperamos é poder influenciar no sentido de fazer valer o lado social em um eventual governo tucano”, afirmou.

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