Rede racha e Marina tenta acerto com PPS para manter candidatura em 2014

O grupo da ex-senadora Marina Silva discute hoje, em Brasília, termos de um acordo eleitoral com dirigentes do PPS para decidir se ela sairá candidata à Presidência pelo partido em 2014. O grupo de Marina quer que a vice-presidência nacional do PPS seja ocupada por ela, que seria tratada como uma espécie de "candidata avulsa" no partido, com autonomia para conduzir a própria campanha.

ANDREZA MATAIS, EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2013 | 02h10

Esse discurso seria a justificativa para minimizar posições divergentes da Rede com as do PPS. Dirigentes do PPS e da Rede desembarcaram ontem em Brasília para participar do encontro hoje pela manhã. A presença de Marina na reunião ainda é uma incógnita.

Marina foi pressionada por empresários que têm financiado seu projeto político de criar um partido a sair candidata. Foi dito a ela que não seria possível ela abandonar um projeto que contou com tantos apoios, inclusive financeiro na sua trajetória para criar a Rede.

O recado foi dado pelo vereador e empresário, Ricardo Young (PPS-SP), que já está em Brasília. Um dos empresários que insiste na candidatura é Guilherme Leal, da Natura, que foi vice na chapa de Marina em 2010. A ex-ministra também conta com apoio de executivos do banco Itaú.

Convencida, a ex-senadora iria anunciar nesta sexta sua decisão de sair candidata, mas foi aconselhada a fazer isso apenas quando definisse o partido. A provável escolha pelo PPS também foi uma sugestão do grupo que tem patrocinado Marina, por considerarem um partido programático e estruturado.

Rede dividida. Além disso, divisões profundas no grupo envolvido no processo de criação da Rede Sustentabilidade fizeram com que Marina adiasse a decisão para hoje. Assediada por outras legendas para disputar a Presidência após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro a seu partido, Marina viu a sua base rachar. Por 6 votos a 1, os ministros do TSE negaram o registro da Rede por considerarem que não foram obtidas as assinaturas exigidas.

Integrantes da Rede afirmam que nas consultas realizadas em reuniões e com uso de videoconferências a maioria dos "marineiros" optou contra a candidatura. Políticos profissionais envolvidos no projeto de criação da Rede, porém, a pressionam a disputar em 2014. O prazo final para filiação é hoje.

A indefinição sobre o futuro deriva da própria forma de organização do grupo. Com militantes de variadas origens, a Rede tem como ideal o que chamam de "consenso progressivo", no qual os debates têm de resultar numa decisão unânime.

A primeira das reuniões para debater a possível candidatura, por exemplo, durou seis horas e se estendeu até a madrugada de ontem. Foi entremeada por discussões ásperas e terminou longe de um encaminhamento. Irritado, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) discutiu com Marina e em texto publicado ontem em seu blog classificou de "caótico" o processo decisório (mais informações abaixo).

Na entrevista concedida ontem para anunciar que "continua pensando", Marina afirmou que as discussões na Rede são "saudáveis" e que há um "manejo sustentável das ideias". Questionada se era possível chegar a uma decisão em dois dias de debate, Marina respondeu que "com sustentabilidade política fica mais fácil".

Sonháticos X Pragmáticos. O racha no grupo que dá suporte à ex-ministra tem como base uma divisão entre dois grupos. Os chamados "sonháticos", que têm como expoentes os deputados federais Sirkis, Reguffe (PDT-DF), Walter Feldman (sem partido-SP) e Miro Teixeira (PROS-RJ), entendem que somente a candidatura pode levar adiante os ideais do grupo e que esperar 2018 é abrir mão do capital político de 20 milhões de votos em 2010 e o segundo lugar nas pesquisas de opinião atuais. O outro grupo é formado por pessoas com ligações próximas à ex-ministra, como o coordenador executivo da Rede, Bazileu Margarido. Para eles, se Marina se filiar só para disputar 2014 sua imagem será afetada. / COLABORARAM ISADORA PERON e PEDRO VENCESLAU

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