Gabriela Bilo/ Estadão
Gabriela Bilo/ Estadão

Marina Silva evita rebater ataques de Dilma Rousseff e diz: 'Deus é maior'

No sábado, a presidente cassada utilizou sua conta no Twitter para responder diretamente à presidenciável

Marianna Holanda, Cristian Favaro e Marcelo Osakabe , O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 20h00

A candidata da Rede ao Planalto nas eleições 2018, Marina Silva, evitou rebater nesta segunda-feira, 3, as acusações feitas pela presidente cassada Dilma Rousseff (PT) em rede social, no sábado, 1º. A  petista chamou a ex-companheira de partido de "dissimulada" e omissa.

"Deus é maior", disse Marina, por três vezes, após a insistência dos jornalistas por uma declaração. O partido da candidata foi um dos autores do pedido de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a candidata costuma dizer que os dois são "farinha do mesmo saco, angu do mesmo caroço", como justificativa por defender o impeachment.

No sábado, Dilma utilizou sua conta no Twitter para responder diretamente à presidenciável. "De tanto se esconder e se omitir dos problemas do país, a ex-senadora Marina Silva, que sempre foi dissimulada, agora difama", disse a petista. "As avaliações da ex-senadora procuram esconder sua notória omissão e seus equívocos políticos. Assim, não lhe reconheço qualquer autoridade política e ética para me avaliar", completou, lembrando que, no segundo turno de 2014, Marina apoiou o então candidato Aécio Neves (PSDB).

 


Marina evitou comentar os ataques de Dilma, mas avaliou como correta a decisão liminar do TSE de suspender a veiculação da propaganda política do PT na rádio. "Está baseada na lei", disse. "Ninguém que foi condenado em segunda instância pode ser candidato. E se a pessoa está reclusa, com certeza deve se estender também a mesma restrição", completou.

Candidata recebe propostas do Agora!

A candidata da Rede recebeu as propostas do movimento Agora!, do qual o apresentador Luciano Huck faz parte, em um ato no Largo da Batata, em São Paulo. Além de membros do grupo, algumas pessoas que passavam pelo local paravam para observar o evento, que, no auge, reuniu cerca de 40 pessoas.

No conjunto de propostas do movimento, há oito temas centrais: combate às desigualdades, sustentabilidade, segurança pública, reforma do Estado, educação, saúde, govtech e economia. A ex-ministra foi a segunda presidenciável a receber o movimento; o primeiro foi Alvaro Dias (Pode), no domingo, 2, no Paraná.

Durante sua fala, Marina rebateu acusações de ausência de propostas, quando se propõe a "debater". "Não acho que debater seja ausência de proposta. Nós estamos vendo e prosperando no Brasil uma impaciência com a democracia"

Não sou do tipo que acha que é assim mesmo, diz Marina sobre governar com o Congresso 

A candidata da Rede também disse que “não é do tipo que acha que é assim mesmo”, quando questionada como governar com o Congresso. Lembrou ainda da ditadura militar, quando havia aqueles que resistiam e, como ela, acreditavam que a situação poderia mudar.

Com um partido na coligação, o PV, e apenas dois parlamentares, Marina disse acreditar que o Congresso vai mudar e que “não aceita a tese de que essa realidade é fixa”. A título de exemplo, ela comparou o momento com a ditadura militar, em que “jovens e intelectuais sonhadores” e também acreditaram que poderiam mudar esta realidade.

“Na época da ditadura militar, quando muitos (jornalistas) não conseguiam fazer suas matérias, eram censurados, se alguém dissesse ‘é assim mesmo, não tem como mudar, a ditadura nunca vai acabar’, ainda bem que existiam jovens sonhadores, intelectuais sonhadores, mulheres e homens que resistiram”, disse a candidata.

“Eu não sou do tipo que acha que é assim mesmo. Se ganhar, nós vamos fazer diferente”, completou, após participar do evento Exame Fórum, onde falou sobre economia e educação.

Após sua declaração a jornalistas, o candidato a vice na chapa nas eleições 2018, Eduardo Jorge (PV), anunciou que acaba de voltar de Pacaraima, fronteira de Roraima, região de passa por uma crise de refugiadas. 

“A questão crucial é que os outros 26 estados acordem. Estados poderosos como São Paulo, Minas, Bahia. Não é possível que um Estado pequeno (Roraima) esteja fazendo toda a solidariedade”, criticou. Segundo conta, a campanha está elaborando uma carta sobre a situação para ser entregue, possivelmente, para o presidente Michel Temer.

Candidata afirma que não há propósito dizer que tem tolerância zero com corrupção e se juntar a corruptos

Ainda nesta segunda-feira, Marina Silva fez uma nova crítica à política de alianças de Geraldo Alckmin (PSDB). A ex-senadora disse que não adianta dizer que terá "tolerância zero" com corrupção e ainda assim se aliar a corruptos na disputa eleitoral.

"Digo desde 2014 que proposta sem propósito é o que não falta (na campanha). Não há propósito nenhum dizer que terá zero tolerância com corrupção e se juntar a corruptos, por exemplo", disse a candidata. "Tolerância zero" é o termo que aparece no programa de governo do PSDB quando o tema é corrupção.

Marina ainda criticou, de forma velada, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ao comentar como a classe política tem criado consensos, como a necessidade de investir em educação e combater a corrupção, mas não transformá-los em ação efetiva. "Por isso reafirmo a necessidade do debate. Quando não se debate, o que prosperam são as propostas mirabolantes, que dizem que vão resolver tudo na base da força, da bala", afirmou. "Quem não tem tolerância pelo debate cultiva o terreno das ações autoritárias."

Questionada sobre como pretende governar a partir de um partido tão pequeno, a candidata afirmou que existe gente boa em todos os partidos. "Duvido que Carlinhos Bezerra, do PSDB, vai sabotar o meu governo, ou o Eduardo Suplicy (PT) vai sabotar o meu governo, ou o Roberto Freire (PPS) vai sabotar o meu governo", disse. "Quando não dá a senha do toma-lá-dá-cá, você pode governar em cima de propostas, em cima de alianças éticas. Eu, quando fui ministra do Meio Ambiente, aprovei tudo que precisava", garantiu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.