Marina Silva agora quer que Aécio Neves mude plano de governo

Marina Silva agora quer que Aécio Neves mude plano de governo

Lista de ex-ministra exige de tucano recuo na defesa de projeto que reduz a maioridade penal em alguns casos; candidato resiste

Daiene Cardoso, Ricardo Della Coletta e João Domingos , O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 07h00

Em lista entregue à campanha de Aécio Neves, a Rede Sustentabilidade, grupo de Marina Silva que está abrigado no PSB, exige que o candidato do PSDB refaça parte de suas propostas para o programa de governo a fim de que a ex-ministra confirme seu apoio a ele neste 2.º turno.

O principal pedido é que o tucano recue de sua posição sobre a redução da maioridade penal. O autor da proposta de emenda constitucional que reduz a maioridade para 16 anos em casos de crimes hediondos é o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice-presidente na chapa tucana. Aécio já sinalizou que não deve acatar o pedido (mais informações abaixo).

Estão na mesma lista o “desengavetamento” da política de demarcação de terras indígenas e unidades de conservação, metas de assentamento para reforma agrária, educação em tempo integral, passe livre para estudantes de escolas públicas e 10% do orçamento da União para gastos com a saúde. Para a Rede Sustentabilidade, o governo Dilma Rousseff promoveu retrocesso na área socioambiental.

O porta-voz da Rede, Walter Feldman, afirmou que o candidato do PSDB precisa de “uma flexão social”. De acordo com ele, esse é o objetivo da lista de propostas entregues ao PSDB.

O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), que recebeu a lista da Rede, levará o pedido de Marina a outros coordenadores da campanha tucana, como o senador eleito pelo Ceará, Tasso Jereissati, e a educadora Maria Helena Guimarães. “A resposta será fundamental para a minha manifestação individual, que será feita oportunamente no segundo turno”, afirmou Marina em carta enviada nesta quinta-feira aos partidos coligados à Rede.

Recuo. As palavras de Marina expostas na carta mostram, na prática, um recuo em relação à posição manifestada na segunda-feira pela ex-ministra a aliados, quando ela afirmou, nos bastidores, que iria apoiar Aécio.

Na terça-feira, ela esteve no apartamento do ex-presidente Fernando Henrique, um dos principais líderes tucanos do País. Em dado momento da conversa, lembrou que Aécio também tentou desconstruí-la no 1.º turno. No mesmo dia, a Rede divulgou sua posição: orientou seus apoiadores a votarem em branco, nulo ou em Aécio no 2.º turno.

O PSB, partido que lhe deu abrigo após não conseguir criar a Rede no ano passado, já declarou adesão aos tucanos sem exigências. Marina faria seu anúncio na quinta-feira, mas acabou adiando o evento e divulgando sua carta com pedidos de alteração no programa do PSDB. “Marina tem o seu tempo”, disse o deputado gaúcho Beto Albuquerque, vice na chapa presidencial do PSB.

Compromisso. “O Aécio precisa de um compromisso social”, disse Feldman pouco depois de uma reunião da coligação. Das legendas que fazem parte da aliança, apenas o PPL se declarou neutro e não marchará com Aécio. De acordo com o deputado, ao abraçar a agenda de Marina, Aécio vai permitir o “avanço”.

Feldman disse que Marina espera que o candidato tucano incorpore a “nova política” em seu programa de governo para o 2.º turno. Ele comparou, ainda, o pedido feito a Aécio por mais compromissos sociais com a “Carta ao Povo Brasileiro”, assinada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, na qual o petista prometeu manter as bases da política macroeconômica do período anterior para garantir a estabilidade do País e ganhou a confiança dos empresários. Para Feldman, Lula promoveu uma “flexão econômica” ao reconhecer que o “(Plano) Real era o caminho”.

Para o coordenador de mobilização da campanha de Marina, Pedro Ivo Batista, a mudança da posição de Aécio é determinante. “É fundamental a revisão da defesa da redução da maioridade penal, o desengavetamento da política de demarcação de terras indígenas e unidades de conservação, além do estabelecimento de metas de assentamento para reforma agrária.”

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