Marina reage e cita ‘mentiras’ da petista

Candidata do PSB adota tom mais agressivo, faz discurso inflamado e acusa presidente Dilma Rousseff de saber do ‘roubo na Petrobrás’

Isadora Peron e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 22h55

Em queda nas pesquisas e com risco de ficar de fora do 2.º turno, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, deixou de oferecer a outra face e partiu para o ataque. Cercada por correligionários em um evento em São Paulo, ela fez nesta terça-feira, 30, um dos discursos mais inflamados de toda a sua campanha e chamou a presidente Dilma Rousseff (PT) de mentirosa.

“Não venha me chamar de mentirosa. Mentira é quem diz que não sabe que tinha roubo na Petrobrás. Mentira é quem diz que não sabe que está acontecendo corrupção neste País. Mentira é quem diz que ia fazer 6 mil creches e fez apenas 400. O que eu estou dizendo aqui não é nenhuma mentira contra a nossa presidente”, disse a presidenciável. 

Desde o último domingo, 28, o PT tem dito que Marina mente sobre o seu posicionamento durante as votações relativas à CPMF quando era senadora. Nesta terça, ela ironizou a situação. “Fiquei sabendo que tem uma CPI paralela vasculhando a minha vida dentro do Senado. Podem vasculhar. Tem coisa que a gente vota no (projeto) principal e depois não vota com as emendas, vota com as emendas, mas não vota no (projeto) principal. Quem não foi nem vereadora e vira presidente do Brasil não entende isso”, disse, fazendo uma referência velada a Dilma, que nunca havia disputado uma eleição antes de chegar ao Palácio do Planalto. 

Em um evento pensado para demonstrar que a candidata tem apoio popular e captar cenas para os últimos programas de televisão, Marina tentou também rebater a imagem de frágil que vem sendo explorada pelo PT, partido do qual foi filiada por mais de duas décadas. 

Evocando a sua história de vida - ela já enfrentou doenças como malária e leishmaniose - disse que nasceu em meio ao medo e que não tem vergonha de demonstrar as suas emoções. “Amanhã vão dizer que ‘ela é fraca’, ‘ela se emociona’, ‘ela não serve para governar o Brasil’”, brincou. “Mas a pior coisa que existe é quando você fere alguém e diz: ‘Engole o choro’. ‘Não reclame’. ‘Finja que você é forte’. A pior fraqueza é fazer o jogo do dominador. Eu não quero me parecer com essa gente”, bradou.

Mudanças. Desde que assumiu a cabeça de chapa, depois da morte de Eduardo Campos em agosto, Marina virou alvo tanto de Dilma quanto do tucano Aécio Neves. Os ataques surtiram efeito. A candidata do PSB chegou a ter 40% nas pesquisas, mas, no Datafolha divulgado ontem, ela apareceu com 25%. 

De perfil mais moderado e com pouco tempo na TV, Marina resistiu em adotar um tom mais duro e revidar de maneira mais enfática aos ataques. Citando uma passagem bíblica, costumava dizer que iria oferecer a outra face para as mentiras que os adversários estariam inventando sobre ela.

A cinco dias da eleição, a cúpula da campanha, porém, decidiu que era hora de mudar a estratégia e sair da defensiva. “Os ataques passaram do limite. Se o (presidente do PT) Rui Falcão está preocupado com a CPMF, nós estamos preocupados com a corrupção na Petrobrás”, disse o candidato a vice da chapa, Beto Albuquerque.

À noite, depois que o Datafolha foi divulgado, Marina fez uma reunião pela internet com coordenadores da campanha de todo o País. O objetivo foi animar a militância e pedir engajamento total nesta reta final. 

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