Marina nega autoritarismo em proposta de maior participação social

Candidata do PSB defende maior integração dos movimentos sociais nas decisões tomadas pelo governo

Ana Fernandes e Carla Araújo , O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2014 | 18h08

Após apresentar seu programa de governo com uma proposta de maior participação dos movimentos sociais nos moldes do Decreto 8.243/2014 da atual presidente, a candidata do PSB, Marina Silva negou que a ampliação da democracia representativa seja autoritária. Marina ressaltou que o Brasil passa por um momento de transformação profunda, do desejo de mudança, e que se faz necessário deflagrar a reforma política.

"Temos ferramentas que possibilitam a participação de todos os segmentos da sociedade. Isso não tem nada a ver com autoritarismo", afirmou. O Decreto 8.243/2014 determinava a implantação da Política Nacional de Participação Social e do Sistema Nacional de Participação Social e foi acusado de ser "Bolivariano". A candidata defendeu que a reforma política não deve vir apenas dos partidos, mas precisa ter integração da sociedade. Durante a apresentação de seu programa de governo, em São Paulo, Marina disse que o projeto que ela representa quer um País economicamente próspero, democrático, socialmente justo e culturalmente diverso. "Em todos os eixos, nós trabalhamos o objetivo da cidadania, de forma transversal", disse, sobre a estrutura do programa apresentado. Para ela, as ideias do programa precisam de base de sustentação para serem viáveis.

Ela criticou a visão do governo atual de que existe um "Brasil colorido", um "mundo da fantasia" e repetiu a promessa de que irá manter o que "é bom" e fará as alterações necessárias na condução do País, caso seja eleita.

Marina ainda refutou possíveis incompatibilidades com o agronegócio e ressaltou que foi parceira do vice Beto Albuquerque, quando era ministra e ele estava na Câmara, para aprovar projetos focados em economia florestal. "Alguns setores querem nos indispor, dizem que somos completamente incompatíveis, que há incoerência e contradição. Não há contradição entre aqueles que defendem democracia e têm uma vida digna", afirmou.

Marina citou no início do discurso o luto que ainda sente pela morte do companheiro de chapa, Eduardo Campos. "Continuamos em luta, mas estamos de luto. Perdemos aquele que foi o polo estabilizador dessa aliança e com certeza gostaríamos muito que estivesse aqui para ver o programa que ele tanto se esmerou", afirmou. Para ela, a comoção nacional em torno da morte de Campos não é por acaso, e sim o desejo daqueles que querem mudança. "A sociedade descobriu, com a morte de Campos, o que ele poderia ter contribuído para o Brasil."

Nos agradecimentos, Marina citou o trabalho do antigo coordenador geral de campanha, Carlos Siqueira, com quem teve um desentendimento que levou Siqueira a deixar a campanha. Ele saiu logo depois da oficialização dela como candidata, dizendo que Marina não representava o legado de Campos.

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