Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Marina mostra disposição para disputar Planalto e aceita acordos do PSB

Em encontro com dirigentes e aliados da Rede em São Paulo, ex-ministra afirma que tem responsabilidade sobre legado de Campos

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2014 | 23h49

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou nesta sexta-feira em conversas reservadas que está disposta a disputar a Presidência da República no lugar de Eduardo Campos, morto na quarta-feira passada em um acidente aéreo em Santos, no litoral paulista. Candidata a vice na chapa do ex-governador pernambucano, ela se comprometeu a respeitar os acordos regionais do PSB e a manter o programa de governo firmado pela aliança. Essas eram as exigências do partido para lançá-la ao Planalto, algo que deve acontecer nos próximos dias.

Marina recebeu em seu apartamento em São Paulo dirigentes do PSB e aliados da Rede - partido que tentou criar sem sucesso no ano passado. Disse que se sente responsável pelo legado de Campos e que, se não houver objeção na aliança, está disposta a disputar o Palácio do Planalto contra a presidente Dilma Rousseff e o candidato tucano Aécio Neves. 

Foram os primeiros encontros políticos realizados por Marina após a tragédia de três dias atrás. A ex-ministra recebeu uma comitiva do PSB formada por Roberto Amaral, que assumiu a presidência nacional do partido após a morte de Campos, pelo coordenador-geral da campanha, Carlos Siqueira, por outro integrante da coordenação, Milton Coelho, pela deputada Luiza Erundina, e pelo porta-voz da Rede, Walter Feldman.

O grupo indagou Marina sobre a candidatura. Ela respondeu, de acordo com relato dos presentes, que não se oporia “aos processos do partido.”

No PSB, sigla à qual Marina aderiu em outubro do ano passado após não conseguir o registro da Rede, a maioria dos dirigentes apoia a candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente. A escolha está ligada ao capital político da neoaliada, que quatro anos atrás, quando disputou o Palácio do Planalto pelo PV, obteve 19,33% dos votos e ficou na terceira colocação. Campos ainda não havia atingido dois dígitos nas pesquisas.

Divergências. Apesar de haver resistências internas - grupos minoritários do PSB dizem preferir um nome com uma ligação mais forte com o partido, como o de Luiza Erundina, por exemplo -, os dirigentes acreditam que o anúncio da ex-ministra possa ser feito até quarta-feira. Eles não querem fazer o anúncio oficial antes que os restos mortais de Campos sejam enterrados no Recife. Nesse período, pretendem consultar governadores, prefeitos e parlamentares do partido sobre a escolha.

Além dos dirigentes do PSB, Marina também recebeu aliados próximos, que a auxiliaram na tentativa de criar a Rede. Estiveram em seu apartamento Eduardo Giannetti, economista, Neca Setubal, herdeira do Banco Itaú que integra a coordenação do programa de governo da aliança PSB-Rede, Ricardo Young, vereador do PPS, entre outros. A eles, falou sobre a “responsabilidade” com o legado do pernambucano.

Silêncio. Até sexta-feira, Marina vinha se recusando a falar de política. Passou a lidar com o tema após a própria família de Campos revelar preferência por sua candidatura. O único irmão de Campos, Antônio, divulgou anteontem uma carta na qual defende abertamente a indicação da ex-ministra como candidata ao Palácio do Planalto.

Renata, viúva do ex-governador, também é a favor de que Marina passe a ser o nome do PSB. As duas conversaram por telefone na quinta-feira. A ex-ministra deve embarcar hoje para Recife, onde os restos mortais de Campos serão enterrados. / COLABORARAM ALESSANDRO LUCCHETTI e MATEUS COUTINHO

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