Marina explica posição sobre CPMF e acusa PT de mentir

Ex-ministra, que votou contra a criação da taxa no plenário do Senado, disse ter defendido proposta que envolvia um fundo de combate à pobreza debatida em comissão

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 11h43

Recife - Alvo de ataques em razão do posicionamento na votação sobre o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a candidata presidencial do PSB, Marina Silva, explicou seu posicionamento no Senado na época e afirmou que integrantes da campanha do PT faltam com a ética e acusou a presidente Dilma Rousseff (PT) de desconhecer o processo legislativo.

A polêmica em torno da votação da CPMF, conhecido como o imposto do cheque, vem sendo usada pela campanha Dilma nos debates e programas de TV nesta reta final da eleição. No debate realizado pela Rede Record no último domingo, a petista questionou o posicionamento de Marina na votação da CPMF realizada no Congresso Nacional em 1995. A ex-ministra do Meio Ambiente, que na época fazia parte da bancada do PT, afirma que votou a favor. Nos registros de votações no plenário do Senado, contudo, mostram que a ex-senadora votou em 1995 contra a criação do imposto e, em 1999, também se opôs a sua prorrogação.

"Naquele contexto eu sugeri uma comissão mista do Congresso Nacional e propus que os recursos da CPMF, juntamente com a tributação sobre o tabaco, ajudasse a compor o fundo de combate à pobreza. No âmbito da comissão mista votamos favorável. Depois no Congresso, na votação em plenário, alteraram a nossa proposta, reduziram os recursos à metade. O nosso voto contra foi na mudança ao mérito", afirmou Marina após ser questionada pelo Broadcast Político no término do comício realizado na noite de segunda em Recife. "O problema é que há uma cadeia de mentira e de difamações que o tempo todo é usada para, obviamente, desconstruir a minha imagem, a minha pessoa. Tem um objetivo de um marqueteiro, de um grupo que já não se orienta mais pela ética", acrescentou.

A candidata também considerou que a presidente Dilma desconhece o processo legislativo e em razão disso é alvo dos ataques. "Obviamente uma pessoa como a Dilma, que nunca foi vereadora, deputada, teve qualquer mandato político tem uma certa dificuldade de entender o trâmite legislativo de uma proposta. E obviamente os assessores, o marqueteiro constrói uma versão. Não seria ingênua de inventar uma coisa dessas sabendo que isso fica nos anais do Congresso".

Comparação. Durante o comício, a ex-ministra chegou a comparar sua trajetória e sua suposta fragilidade a figuras históricas como o sul-africano Nelson Mandela, o indiano Mahatma Gandhi e o norte-americano Martin Luther King que, segundo ela, também tiveram momentos de aparente fraqueza em suas trajetórias. 

"Mas Martin Luther King, por exemplo, plantou a semente que veio a brotar com a eleição do primeiro homem negro como presidente dos EUA", disse a candidata, que vem perdendo fôlego nas pesquisas eleitorais, ao se referir a Barack Obama.O comício, realizado no Cais da Alfândega, centro do Recife, se transformou em mais uma homenagem ao ex-candidato e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no mês de agosto. A passagem de Marina por Pernambuco foi a última antes de 5 de outubro. /COLABOROU MARCELO ABREU, ESPECIAL PARA O ESTADO

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