Marina e Aécio pedem votos em Campinas

Tucano destacou aliança com PSB de Donizette e ex-senadora declarou apoio a Pochmann (PT)

RICARDO BRANDT, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h06

O 2.º turno da eleição em Campinas atraiu ontem para a cidade do interior paulista duas lideranças da política nacional. Na visita em apoio à candidatura de Jonas Donizette (PSB), o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o mais cotado presidenciável tucano para 2014, tratou como natural a aliança PSB-PSDB. O petista Márcio Pochmann, por sua vez, recebeu o apoio da ex-senadora Marina Silva, que também desembarcou em Campinas.

Quatro dias depois de Dilma e de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lotarem duas praças em um ato da campanha de Pochmann, Aécio fez um comício improvisado na mesma região e procurou ressaltar afinidades dos tucanos com o PSB. Jonas tem como vice Henrique Magalhães, filiado ao PSDB.

"O que surpreende alguns é que em várias partes do Brasil, sem prejuízo da aliança nacional que o PSB tem hoje com a presidente Dilma, e eu respeito, é que há uma aliança muito natural do PSDB com o PSB, como aqui em Campinas e em Minas mesmo", disse.

Afinidade. Segundo Aécio, os dois partidos "quase se confundem na história dos agentes políticos". "Essa afinidade é real, ela não é eleitoral, não é uma construção artificial. Por isso a naturalidade com que nossos companheiro aqui se juntem em torno de um projeto. Nós vamos continuar fazendo isso", declarou o senador.

A visita de Aécio a Campinas foi tratada na sexta-feira diretamente com o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos - outro nome cotado para a disputa presidencial de 2014. O partido escalou o prefeito eleito do Recife no 1.º turno, Geraldo Júlio (PSB), que derrotou o PT local, para acompanhar Aécio em Campinas.

"Existem alianças naturais entre o PSB e o PSDB no Brasil inteiro, por mais que isso incomode atores de outros partidos políticos. Mas não digo que isso vá nos levar a uma aliança daqui a pouco. A realidade local coloca o PT, o modus operandi, a forma de governar, em antagonismo com o PSDB e o PSB."

Oposição. O senador mineiro afirmou que o PSB será bem-vindo em uma futura construção de proposta de oposição para o atual governo. "Vamos construir um projeto de oposição. Se, no caminho, forças que hoje estão com o governo se sentirem mais confortáveis em uma nova proposta para o Brasil, naturalmente serão muito bem-vindos."

Aécio voltou a criticar a posição da presidente Dilma e de ministros do governo federal que, segundo ele, estariam prometendo benefícios na transferência de recursos da União para prefeitos do PT. "Esse discurso foi o discurso da ditadura, esse era o discurso do regime de exceção, que decidiu que durante 20 anos nós não devíamos votar para governador do Estado ou para prefeito de capitais porque eles deveriam ser do mesmo partido do presidente da República."

Sustentabilidade. Marina, candidata à Presidência derrotada em 2010 pelo PV e que hoje está sem partido, assinou uma carta de compromisso com Pochmann, na qual o petista se compromete a cumprir uma agenda voltada para o ambiente e a sustentabilidade. "Hoje estou em um movimento suprapartidário. Luto pelo ideal da sustentabilidade", ressaltou a ex-senadora.

O candidato do PSB lidera a disputa em Campinas com 45% das intenções de voto, ante 37% de Pochmann, segundo a mais recente pesquisa Ibope.

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