Marina e Aécio atacam uso do fundo soberano por Dilma

Para Marina Silva (PSB), presidente 'está comprometendo a estabilidade econômica' do País; Aécio Neves (PSDB) afirma que governo se afastou da iniciativa privada

Luciana Nunes Leal, Fernanda Nunes e João Domingos, enviado especial a Curitiba , O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 11h20

Atualizado às 22h03

Os candidatos da oposição criticaram nesta terça-feira, 23, o uso pelo governo da presidente Dilma Rousseff de R$ 3,5 bilhões em recursos do Fundo Soberano para fechar as contas federais neste ano eleitoral. Dilma, por sua vez, saiu em defesa do fundo público criado em dezembro de 2008 e vinculado ao Ministério da Fazenda.

O fundo funciona como uma espécie de poupança para investimentos. Recursos do Fundo Soberano também foram usados no ano passado para fechar as contas federais. 

Em Curitiba, a candidata do PSB, Marina Silva, afirmou que, ao usar recursos do Fundo Soberano para fechar as contas públicas, a presidente Dilma compromete a estabilidade econômica do País. “O uso dos recursos do fundo para socorrer as contas públicas é uma demonstração clara de que o atual governo está comprometendo a estabilidade econômica de nosso País.” 

Segundo ela, o governo errou porque o fundo foi criado para ser usado em situação de extrema gravidade. “Governar é colocar os interesses da Nação em primeiro lugar. Não sacrificá-lo em função de políticas erráticas, para ganhar a eleição”, disse. 

A ex-ministra afirmou também que a credibilidade do governo é tão pequena que quando Dilma sobe nas pesquisas as ações na Bolsa de Valores caem, principalmente as da Petrobrás. “É a primeira vez na História desse País que acontece isso”, disse.

Iniciativa privada. No Rio de Janeiro, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, também criticou o uso, pelo governo, do Fundo Soberano para fechar as contas públicas.

A medida, segundo ele, é resultado da política da presidente Dilma Rousseff de se afastar da iniciativa privada. “O governo federal recalibra para baixo a expectativa de crescimento da nossa economia para 0,9% e busca no Fundo Soberano os recursos para fechar suas contas porque o Brasil parou de crescer. A responsabilidade não é, como quer dizer a presidente da República, única e exclusivamente da crise internacional”, afirmou o tucano.

A estimativa oficial para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi revista do patamar de 2,5% no início do ano para menos de 1% atualmente. 

“No momento em que esse governo demoniza por dez anos as parcerias com o setor privado, que eu quero resgatar, obviamente afasta investimentos que poderiam permitir crescimento muito maior da nossa economia”, criticou Aécio, em entrevista antes de corpo a corpo em Niterói, na região metropolitana da capital fluminense. 

‘Vacas magras’. Em Nova York, durante entrevista a jornalistas, Dilma rebateu as críticas e disse que é “estarrecedor que questionem a utilização do fundo” neste momento em que o Brasil cresce menos do que na época em que ele foi criado. “Para que se faz um fundo soberano? É uma coisa muita simples. Nas vacas gordas, você tem dinheiro. Nas vacas magras, você tem menos dinheiro.” 

Dilma destacou que a estratégia do então governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi criar um fundo no momento em que o País crescia mais, com melhor desempenho maior arrecadação tributária maior. “O fundo tem uma característica contracíclica, ou seja, não age a favor do ciclo. Se o ciclo está ruim, ele aumenta o gasto para conter o ciclo. Se o ciclo está bom, ele segura o gasto e faz uma poupança, afirmou, destacando que na época da criação do fundo era ministra-chefe da Casa Civil. “O fundo foi feito porque o governo teve uma política muito, mas muito séria, sistemática, de guardar para o futuro, e agora é hora de usar.”

Tudo o que sabemos sobre:
EleiçõesMarina Silvaeconomia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.