Marina diz que combate preconceito e que gays sabem o que ela pensa

Ex-ministra volta a comentar declaração segundo a qual deputado Feliciano é criticado 'por ser evangélico'

Ricardo Chapola e José Roberto Castro

17 de maio de 2013 | 02h04

Depois da polêmica causada pela declaração sobre o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), que é pastor e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a ex-ministra Marina Silva (sem partido) afirmou ontem que vai "continuar combatendo o preconceito" e que não precisa dar explicações ao movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Marina foi questionada ontem em São Paulo se temia ser rotulada por suas declarações sobre Feliciano. "Não quero que você manchete amanhã o que você está me perguntando. Eu vou continuar combatendo o preconceito. As pessoas do movimento LGBT sabem o que eu penso", rebateu ela.

A ex-senadora afirmou na terça-feira, em palestra no Recife, que Feliciano sofre preconceito religioso e vinha "sendo criticado por ser evangélico e não por suas posições políticas equivocadas". O deputado que preside a Comissão de Direitos Humanos é acusado de ser homofóbico e racista. Em seguida, Marina esclareceu que é contra a indicação de Feliciano para presidir o colegiado e que sua opinião não havia mudado.

Desde que assumiu a presidência do colegiado, Feliciano tem sofrido pressão para deixar o cargo. Em 2011, ele protagonizou uma polêmica quando publicou no Twitter declarações contra gays e negros.

O secretário da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), Tony Reis, afirmou ontem que a entidade não faz críticas a Feliciano por sua opção religiosa. Ex-presidente da ABGLT, Reis disse que o pastor não é combatido pela religião que adotou, mas pelas posturas políticas que toma.

"Não estamos criticando Feliciano porque ele é evangélico. Mas pelas posturas dele", afirmou Reis, O militante da causa gay afirmou não ser eleitor de Marina. Mas não pelo fato de ela ser evangélica. "Não voto na Marina. Mas não voto porque ela é crente. Não voto por outras questões", disse Reis, que defendeu a ex-ministra do Meio Ambiente. "Ela é evangélica. Não é fundamentalista."

O secretário da ABGLT afirmou também que, assim como outros gays, assinou o documento em favor da criação do partido da ex-senadora.

A postura de Marina gerou outras reações entre os gays. Militante da causa, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) escreveu em seu perfil do Twitter que ela é "refém da covardia" e que só está de olho no filão conservador do eleitorado. "Com Dilma e Marina reféns da covardia e de olho em eleitorado conservador, as eleições de 2014 serão trevas profundas."

Marina esteve na capital paulista para participar de shows organizados para colher assinaturas em favor da criação do seu partido - a Rede Sustentabilidade. A repercussão negativa das declarações nas redes sociais obrigou a assessoria da ex-senadora a postar um vídeo na internet com o trecho em que ela se referia a Feliciano.

Em nota oficial, a assessoria da ex-senadora afirmou que "as declarações foram interpretadas equivocadamente por alguns órgãos da imprensa". "Marina Silva criticou o deputado Feliciano e, de forma didática, dissociou isto da opção religiosa dele", afirma a nota.

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