Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Marina diz aceitar discutir candidatura e se sentir responsável por legado de Campos

Dirigentes do PSB consultam ex-ministra sobre disposição de assumir cabeça de chapa na disputa presidencial

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2014 | 16h46

Atualizado às 22h14

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva sinalizou nesta sexta-feira, 15, disposição de disputar a Presidência da República no lugar de Eduardo Campos, morto na quarta-feira em um acidente aéreo em Santos, no litoral paulista. Candidata à vice na chapa do ex-governador pernambucano, ela recebeu em seu apartamento em São Paulo durante todo o dia dirigentes do PSB e aliados da Rede – partido que tentou criar sem sucesso no ano passado. Foram os primeiros encontros políticos realizados por Marina após a tragédia.

A ex-ministra recebeu uma comitiva do PSB formada por Roberto Amaral, que assumiu a presidência nacional do partido após a morte de Campos, pelo coordenador-geral da campanha, Carlos Siqueira, por outro integrante da coordenação, Milton Coelho, pela deputada Luiza Erundina (SP), e pelo porta-voz da Rede, Walter Feldman. Desde a morte de Campos, Marina está reclusa em seu apartamento em São Paulo.

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O grupo indagou Marina sobre a candidatura. Ela respondeu, de acordo com relato dos presentes, que não se oporia “aos processos do partido”.

No PSB, sigla à qual Marina aderiu em outubro do ano passado após não conseguir o registro da Rede –, a maioria dos dirigentes apoia a candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente. A escolha está ligada ao capital político da neoaliada, que quatro anos atrás, quando disputou o Palácio do Planalto pelo PV, obteve 19,33% dos votos e ficou na terceira colocação. Campos ainda não havia atingido dois dígitos nas pesquisas.

Apesar de haver resistências internas – grupos minoritários do PSB dizem preferir um nome com uma ligação mais forte com o partido, como o de Erundina, por exemplo –, os dirigentes acreditam que o anúncio da ex-ministra possa ser feito até quarta-feira. Eles não querem fazer o anúncio oficial antes do enterro dos restos mortais de Campos, no Recife.

A ideia é consultar, nos próximos dias, governadores, parlamentares e os principais prefeitos de legenda para confirmar a preferência pela indicação de Marina como candidata. O PSB marcou reunião de sua executiva nacional na quarta-feira, em Brasília.

Além dos dirigentes do PSB, Marina recebeu aliados próximos, que a auxiliaram na tentativa de criar a Rede. Estiveram em seu apartamento Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, Neca Setubal, socióloga e herdeira do Banco Itaú que integra a coordenação do programa de governo, e Ricardo Young, vereador do PPS paulistano. A eles, disse que se sente responsável por levar o legado de Campos adiante, desde que o PSB assim o queira. 

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