Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Marina critica estratégia de ataques contra Bolsonaro

Ela criticou, no entanto, a liberação do comércio de armas como solução para o problema da segurança pública, como defende o pré-candidato do PSL

O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 16h55

RIO DE JANEIRO - Em entrevista a jornalistas estrangeiros concedida no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 8, a pré-candidata da Rede à presidência da República, Marina Silva, criticou a estratégia de centrar críticas ao pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL). Ele lidera as pesquisas de intenção de voto quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso na Operação Lava Jato, não é incluído.

"É um erro os partidos orientarem sua estratégia para combater o Bolsonaro. Temos um projeto para o Brasil e vamos debater com todos, sem polarizar. Queremos saber os projetos de todos sobre saúde, educação, segurança", afirmou.

Marina criticou, no entanto, a liberação do comércio de armas como solução para o problema da segurança pública, como defende Bolsonaro. "Não é assim que se resolve, não adianta dar uma arma para cada cidadão. Isso só vai aumentar o problema. Não queremos uma arma como símbolo do Brasil", afirmou.

Sobre o aborto e a liberação de drogas, outros temas recorrentes na eleição, a pré-candidata defendeu que essas questões sejam decididas via plebiscito. "Precisamos fazer um debate sem usar rótulos", pontuou. Ninguém defende o aborto como método regular contraceptivo, mas numa situação excepcional. Isso tem que ser debatido com fundamentos médicos e sem preconceito", ponderou.

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A pré-candidata da Rede mencionou que está em negociação com partidos como PSB e PMN para a campanha eleitoral, e que só busca alianças baseadas em programa de governo. "Mas não acho que todo mundo do PT e do PSDB é corrupto. Quero fazer um governo de união", afirmou. "Os partidos que estão aí fizeram a reforma política que interessava a eles, mas tem uma grande reforma política que o povo vai fazer em 7 de outubro", previu Marina.

Economia. Marina Silva também afirmou que, se eleita, não vai "inventar a roda" para consertar a economia. "Não tem nenhuma mágica. É preciso resgatar a política econômica que esteve em vigor desde o início do Plano Real, recuperar o superávit primário, sem prejuízo dos investimentos em programas sociais, e controlar a inflação. O sistema de metas (de inflação) é positivo, o que aconteceu é que primeiro ultrapassaram o centro da meta, depois furaram o teto. Agora, até em função do cenário econômico, a inflação caiu novamente, e é preciso mantê-la sob controle. Agora a questão do câmbio é que está com problemas, mas ele deve ser flutuante, e o governo e o Banco Central têm instrumentos para controlá-lo."

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Questionada sobre uma eventual reação do mercado à polarização entre os pré-candidatos Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, Marina afirmou que "não quero contribuir com qualquer especulação sobre candidaturas": "Estamos no começo do processo, e o povo é que vai decidir".

Sobre a prisão de Lula e a possibilidade de que sua candidatura seja proibida em função da lei da Ficha Limpa, Marina repetiu que "a lei é para todos e não pode se adaptar às pessoas. As pessoas é que devem se adaptar a ela".

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A pré-candidata do Rede também criticou a gestão do presidente Michel Temer (MDB) e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT): "Eles não governaram. O atual governo faz loteamento de cargos para se manter. É preciso ter alianças programáticas. O País não pode ser governado pelo Judiciário, como tem acontecido."

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