Marina atribui discussão sobre renda com palestras a 'desespero' do PT

Candidata do PSB afirma que faturamento foi declarado e lamenta 'vale tudo' por parte da campanha adversária

Elder Ogliari, correspondente, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2014 | 10h53

Atualizado às 15h

PORTO ALEGRE - A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, atribuiu ao "desespero" do PT a discussão sobre os rendimentos que obteve como palestrante nos últimos três anos e meio durante entrevista a emissoras da RBS nesta quinta-feira, 4, em Porto Alegre.

Questionada por um dos entrevistadores a comentar a informação de que o comitê de campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) pedirá ao Ministério Público Eleitoral uma investigação sobre eventual omissão de ganhos, Marina qualificou a iniciativa de "acusação injusta, factoide".

Segundo a candidata, desde 2011, quando deixou o Senado, vive de seu trabalho e, sem entrar no circuito comercial de palestras, se limita a aceitar convites. Os contratantes pagam à empresa que Marina criou em 2011 e que faturou R$ 1,6 milhão desde então. "Pagamos todos os encargos, ficou R$ 1,016 milhão", revelou Marina, ressalvando que o faturamento bruto da empresa não pode ser confundido com rendimento líquido pessoal. "Minha média salarial é de R$ 22 mil, R$ 24 mil, é só verificar".

Marina reiterou que toda a movimentação financeira da empresa e dela está informada à Receita Federal e passou ao ataque. "O desespero está fazendo com que eles façam esse tipo de coisa", afirmou. "Lamento que a presidente Dilma se submeta a esse tipo de lógica do poder pelo poder, de que vale tudo para ganhar uma eleição", prosseguiu, prometendo vai fazer disputa limpa, sem acusações ou tentativas de criar factoides contra concorrentes.

Marina admitiu ainda a possibilidade de levar ao caso ao Ministério Público. Lembrou que ela e o marido já sofreram acusação infundada de participação em tráfico de madeira e levaram o caso ao Ministério Público, que concluiu que tratava-se de inverdade.

Causa gay. Marina reiterou que nem tomou conhecimento das mensagens escritas pelo pastor Silas Malafaia em seu perfil no Twitter no caso do recuo no apoio ao casamento gay e à lei contra a homofobia. A candidata explicou que foi a própria equipe que cuida do programa e faz a mediação das sugestões que mudou o texto. "No nosso programa, as direitos da comunidade LGBT estão melhor contemplados que nos de Dilma e Aécio", comparou.

Petrobrás e preço da gasolina. Em outro momento da entrevista, Marina criticou a política de preços controlados do governo, dando a entender que, se vencer a eleição, o combustível seguirá as oscilações do mercado internacional.

"A atual política não tem sustentação", afirmou, ao responder a uma pergunta sobre equiparação dos preços ao mercado internacional ou manutenção do controle feito pelo governo federal. "A Dilma está assumindo que depois das eleições terá de fazer mudanças", reiterou. "Se não tivesse demorado a fazer o dever de casa não estaríamos na situação em que estamos", citando a desvalorização da Petrobrás, suspeitas de corrupção na estatal e prejuízos à imagem da empresa como exemplos do que não vai bem.

Energia, reformas e índios. Ao abordar a questão da energia, Marina repetiu a disposição de manter as atuais fontes de geração e, ao mesmo tempo, investir em novas, "Vamos investir para que, no longo prazo, tenhamos essas fontes (eólica, solar, biomassa), mas hoje não temos como abrir mão das atuais".

A candidata do PSB também voltou a se comprometer com o envio de um projeto de reforma tributária ao Congresso no primeiro mês de governo, mas admitiu que ela terá de ser "fatiada", com negociações entre União, Estados e municípios para que ninguém se sinta perdedor de recursos.

As ideias centrais, segundo Marina, são garantir justiça, para que os que ganham mais paguem mais, transparência, para a população saber o que paga e para onde vão os recursos, e simplificação, que pode poupar recursos que as empresas gastam atualmente em suas áreas burocráticas.

Para a reforma política, Marina disse que não foi apresentado projeto, mas alguns pontos para iniciar o debate. "Defendemos o financiamento público de campanha, mas há um debate que pode ser misto, combinando as duas coisas", disse a candidata.

Lembrada pelos jornalistas de que disputa de terras entre agricultores e índios geram um clima de tensão no noroeste do Rio Grande do Sul e em outras regiões do País, Marina defendeu a legislação atual, que atribui ao Executivo a demarcação de terras indígenas, posição que contraria movimento de produtores rurais que querem transferir a decisão para o Congresso. Ao mesmo tempo, ressaltou que tem o compromisso de respeitar direitos. "Existem terras que são posse de assentados pelo próprio Estado e não podemos tratar (esses agricultores) como invasores", destacou. "Nesse caso a discussão deve ser criteriosa para os dois lados não sofrerem prejuízos".

Marina passa o dia no Rio Grande do Sul. À tarde visita a Expointer, feira agropecuária na cidade de Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, e á noite tem encontro com o candidato do PMDB ao governo do Estado, José Ivo Sartori, em Caxias do Sul, na serra.

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