TV GLOBO/Divulgação
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Marina afirma que eleitor precisa de decisão rápida sobre candidatura de Lula

A candidata voltou a criticar a reeleição no Brasil e a defender que os legados positivos de governos anteriores sejam aproveitados

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2018 | 17h17

RIO  DE JANEIRO - A candidata à Presidência da República nas eleições 2018, Marina Silva (Rede), disse nesta sexta-feira, 31, no Rio de Janeiro, que o eleitor precisa de uma decisão rápida do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso pela Operação Lava Jato. O julgamento acontece nesta sexta.

"Estamos vivendo uma situação muito complicada, em que o eleitor ainda não tem muita clareza sobre qual é a definição do processo eleitoral. A Justiça tem que dar uma resposta, dar celeridade ao processo", afirmou, citando a Lei da Ficha Limpa e a inelegibilidade de Lula.

"Todos os candidatos estão expondo suas propostas e existe um campo que não está dialogando com a sociedade, porque há um impedimento legal. Tem que decidir o quanto antes, para que a gente não crie mais confusão na cabeça do eleitor, que já está bastante indignado e desacreditando de muitos partidos e lideranças políticas", defendeu a candidata, que falou a empresários na Casa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

Pesquisa do Datafolha divulgada semana passada mostra Marina em terceiro lugar no cenário que inclui o ex-presidente e em segundo com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como candidato petista. No primeiro, Lula tem 39% das intenções de voto, Jair Bolsonaro (PSL), 19%, e Marina, 8%. No segundo, Bolsonaro aparece com 22% e Marina, com 16%.

Foram ouvidos 8.433 eleitores em 313 municípios brasileiros nos dias 20 e 21. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95% (o que quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os números conferirem com o momento atual da campanha, considerado esta margem de erro).

Falando de decisões de governos petistas na gestão de investimentos públicos, a candidata disse que o BNDES tem de ser instrumento de melhoria de vida dos mais pobres. "No serviço público não pode ter caixa preta; quanto mais transparência, melhor. Não pode dar R$ 1 trilhão para os amigos do rei. O BNDES é importante para investir em moradia popular e saneamento básico."

Marina afirma que não tem preconceitos para governar

A candidata também disse que irá governar com os melhores quadros dos partidos políticos, "sem preconceito", citando PT, PSDB e MDB. "Vejo analistas políticos dizendo 'Marina não tem viabilidade, porque não tem o Centrão, não tem dinheiro para pagar marqueteiro mentiroso para enganar o povo'. Não tenho ódio de ninguém, preconceito. Vou governar com os melhores dos partidos, do PT, MDB, PSDB", disse.

Diante de uma plateia de cerca de 150 pessoas, a candidata criticou o que considera desvirtuamento de partidos de suas origens. "Estou andando o País inteiro dizendo que se eu ganhar vai ser bom para todos, inclusive para quem eu vou derrotar. Eles terão férias. O PSDB vai ter que lembrar Mario Covas; o PT vai ter que deixar o (Eduardo) Suplicy falar; o MDB, que foi o guarda-chuva da democracia brasileira, tem que se lembrar de Ulysses Guimarães, pegar umas aulas com Pedro Simon e voltar melhor para a sociedade."

Ela negou que, se eleita presidente, terá problemas de governabilidade – tema bastante explorado em sua entrevista no Jornal Nacional na quinta-feira, 30. "Perguntam como vou fazer para governar, mas eu digo: se preocupem que tenho que ganhar", afirmou, ressaltando que conta em sua equipe com integrantes competentes dos grupos idealizadores do Sistema Único de Saúde, do Bolsa Família e do Plano Real.

Marina voltou a criticar a reeleição no Brasil e a defender que os legados positivos de governos anteriores sejam aproveitados. "As pessoas fazem o que é necessário para se reeleger. Maquiaram contas públicas, roubaram da Petrobrás. Temos de ter política de longo prazo no nosso curto prazo político. Em vez de fulanizar as conquistas, partidarizar, precisamos institucionalizá-las. As democracias fazem assim."

A candidata defendeu a manutenção das "coisas boas" e a correção das "coisas erradas" dos presidentes passados. "Desde 2010 estou dizendo: não precisa inventar a roda na economia. Basta manter o superávit primário, meta de inflação, câmbio flutuante. Nas políticas sociais, já foi inventada pelo PT a transferência direta de renda. E tem perna da sustentabilidade. Muita gente entrou e se perdeu, quiseram ficar 20 anos. Não posso ter um governo maravilhoso que só funciona comigo. Senão vai acontecer o que aconteceu na Venezuela: você acaba com a democracia."

Marina falou também sobre seu pouco tempo de TV, 21 segundos, e das dificuldades financeiras de sua campanha, e disse que está se vestindo com peças emprestadas por amigas, para não "repetir roupa" com frequência. "Eu sou candidata a presidente da República pela terceira vez numa luta de Davi contra Golias, franciscana, acordando às quatro horas para pegar voo mais barato, às vezes me hospedando na casa de amigos."

Ela disse também que sua campanha seria um "case de sucesso" caso sua trajetória fosse a de uma empresa, referindo-se a seu alcance mesmo com falta de recursos. "As pessoas reclamam que minhas roupas estão muito repetitivas, aí falei para minhas amigas fazerem um brechozinho. Meu pessoal de campanha já conseguiu uma forma de internalizar (as roupas) como doação para não ser caixa dois", brincou.

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