Marina adia decisão sobre apoio no 2º turno e avisa que não sobe em palanque

Nilson Oliveira, coordenador de comunicação da campanha da ex-ministra, afirma que posicionamento depende da resposta de Aécio sobre ajustes no programa de governo

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 12h26

Atualizado às 13h

São Paulo - O antigo coordenador de comunicação da campanha de Marina Silva e aliado próximo da ex-ministra, Nilson Oliveira, disse que a ex-ministra não deve anunciar nesta quinta-feira, 9, seu posicionamento sobre o segundo turno das eleições presidenciais. "Marina não deve se manifestar hoje", disse a jornalistas ao chegar ao apartamento onde a ex-ministra tem se hospedado em São Paulo. Ainda segundo Oliveira, ainda que se confirme a tendência de apoio ao tucano Aécio Neves, Marina "não vai subir em palanque".

De acordo com Oliveira, Marina decidiu na quarta, 8, que não participaria da reunião da coligação que a apoiou no primeiro turno, em Brasília, porque achou melhor que eles chegassem a um consenso sobre quais pontos essenciais do programa querem levar a Aécio e, então, submeterem esse documento para a avaliação dela. "Os partidos vão encaminhar esse documento (ao candidato do PSDB)." Essa entrega será feita após a aprovação de Marina, completou. Nessa quarta, o PSB declarou apoio à candidatura tucana. A Rede, grupo político ligado a Marina, manifestou-se pelo voto nulo, branco ou no tucano.

Ainda segundo Oliveira, o tempo de espera por um posicionamento de Marina agora depende de Aécio. "Agora é o Aécio quem deve fazer o movimento ao encontro de Marina. Ele deve demonstrar o nível de compromisso programático com os pontos que serão apresentados", disse. Sobre o momento do anúncio de Marina, Oliveira afirmou que "vai depender do Aécio dizer que momento é mais propício".

Neste momento, representantes do PSB, da Rede (projeto de partido de Marina), do PPS, PPL e PRP estão reunidos em Brasília para tentar tirar um documento comum com pontos programáticos - PHS e PSL decidiram não participar. O documento formulado pela Rede incluiu adiantar metas de educação em tempo integral e de destinar 10% do PIB para educação, o destino de 10% da receita bruta da União para saúde, o passe livre estudantil, a reforma política com fim da reeleição, além da questão da não diminuição da maioridade penal - Aécio havia defendido o projeto do companheiro de chapa, senador Aloysio Nunes, de passar a maioridade de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.

Nilson Oliveira disse que não necessariamente Aécio precisaria aceitar todos os pontos para ter o apoio de Marina e disse que haverá "negociação". Foi a primeira fala de uma pessoa próxima a Marina nesse sentido, de negociar pontos para definir um apoio ao tucano.

Oliveira reforçou que Marina terá autonomia para se posicionar, tanto em relação à Rede como aos demais partidos da coligação.

Sem palanque. O antigo coordenador acrescentou que Marina não vai participar de atos de campanha de segundo turno, ainda que se confirme a tendência de apoio a Aécio. "Marina não vai subir em palanque, não vai aparecer em programa de TV, foto ou santinho", afirmou.

Oliveira também comentou o encontro de Marina com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que tem atuado como um dos interlocutores da negociação do PSDB com a ex-ministra. "Fernando Henrique tinha manifestado interesse em cumprimentar Marina, pelo desempenho nas eleições, mas ele está doente, então Marina resolveu fazer uma visita de cortesia."

"Foi a primeira movimentação de alto nível", admitiu Oliveira em relação ao teor político do encontro e seu papel para eventual apoio de Marina a Aécio. Nilson disse que Marina falou com o ex-presidente sobre como o processo evolui do lado dos partidos que a apoiaram, sem entrar em detalhes dos pontos programáticos que serão levados a Aécio, até porque esse documento ainda está em elaboração.

Beto Albuquerque. Ainda na manhã desta quinta-feira, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), candidato a vice na chapa ao Palácio do Planalto, afirmou que Marina só vai definir seu apoio no segundo turno depois que o candidato do PSDB, Aécio Neves, declarar se aceita ou não os pontos do programa de governo da candidatura socialista.

"A Rede e a Marina têm o seu tempo para se pronunciar", disse Albuquerque ao chegar á reunião da coligação 'Unidos Pelo Brasil'.

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