Maria da Penha é vice em Fortaleza

Mulher que 'virou lei' vai compor chapa pura petista

LAURIBERTO BRAGA , ESPECIAL PARA O ESTADO , FORTALEZA , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h02

Vítima emblemática da violência doméstica, líder do movimento de defesa dos direitos da mulher, nome de lei. E, agora, política. Maria da Penha Fernandes, biofarmacêutica que se transformou em símbolo da luta contra a impunidade, foi oficializada pelo PT de Fortaleza como candidata a vice na chapa encabeçada pelo ex-secretário municipal de Educação, Elmano de Freitas.

Maria da Penha, que dá nome à lei de proteção às vítimas de violência familiar, é filiada ao próprio PT. O posto de vice de Elmano de Freitas tinha sido oferecido ao PV e ao PR, mas os dois partidos declinaram do convite em favor da biofarmacêutica, em nome de um apelo mais forte para tentar fazer a sucessão da prefeita Luizianne Lins (PT).

Em maio de 1983, Maria da Penha dormia quando o então marido e pai de suas três filhas, o professor colombiano Marco Antônio Viveros, simulou um assalto e tentou matá-la com um tiro nas costas. Ela sobreviveu, mas ficou paraplégica. Ao voltar para casa, depois de quase cinco meses no hospital, ela sofreu uma nova tentativa de assassinato - desta vez, Viveros tentou eletrocutá-la.

O agressor foi condenado a dez anos e seis meses de prisão, mas cumpriu só dois anos. Em 2001, 19 anos após o crime, Maria da Penha conseguiu que a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) acatasse, pela primeira vez na história, um caso de violência doméstica. O Brasil foi condenado internacionalmente quando faltavam seis meses para a prescrição do crime. E a insistência da biofarmacêutica fez com que seu caso não tivesse o mesmo desfecho do de tantas outras brasileiras cujos agressores são beneficiados por brechas na lei.

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