Manutenção de equipamentos é novo desafio

Prefeitos alegam dificuldades financeiras para manter funcionando as máquinas recebidas do governo federal

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2013 | 02h04

Embora indispensáveis para os trabalhos de conservação nos municípios, equipamentos como retroescavadeiras, motoniveladoras, caminhões-caçamba e caminhões-pipa se transformaram em despesa adicional e inesperada para as prefeituras contempladas pelo programa. Como o governo federal paga pelas máquinas e oferece treinamento para os operadores, a sua manutenção fica a cargo das administrações locais.

"Cada máquina representa um custo. O governo federal ajudou muito dando a máquina, mas é um gasto com o qual o município não poderia arcar", reclamou o prefeito de Barra Velha (SC), Claudemir Matias Franco (PSB), que gasta, em média, R$ 30 mil por mês para manter a retroescavadeira e a motoniveladora doadas pela União. Segundo o chefe do executivo, um dos maiores custos é com a lâmina da retroescavadeira, que, dependendo do tipo de solo em que é usada, requer trocas frequentes. "Mas é uma necessidade básica da gente e não podemos ser ingratos com o governo federal, né?", concluiu.

Caridade do Piauí recebeu neste ano uma motoniveladora, uma retroescavadeira, uma pá-carregadeira e um caminhão-pipa. "Gastamos muito com o conserto das máquinas, com o operador e o combustível", listou o prefeito José Lopes Filho (PTB). Segundo suas informações, o gasto médio mensal com a manutenção dos equipamentos é de R$ 20 mil.

Ele prevê um aumento dos gastos quando o caminhão-caçamba prometido chegar. "Só precisaria de apoio financeiro do governo federal para mantê-los", comentou.

Crise. Integrante da bancada ruralista da Câmara, o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), critica a falta de ajuda do governo federal na manutenção das máquinas em cidades beneficiadas pelo PAC 2. Segundo Caiado, os prefeitos, às voltas com a crise financeira dos municípios, têm poucos recursos. "É como comprar um jato e não ter dinheiro para o combustível nem para pagar o piloto", disse.

Desde o lançamento do programa, em 2011, 4.920 municípios foram contemplados e a meta é chegar a 5.061. No total, foram distribuídos 9.110 máquinas, a um custo de R$ 2,16 bilhões. Todas as cidades com até 50 mil habitantes que se inscreveram devem receber uma retroescavadeira e uma motoniveladora. Municípios do semiárido em situação de emergência ou de calamidade pública, devido à estiagem, recebem também um caminhão-pipa e uma pá-carregadeira. / D.C. e R.M.M.

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