Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Mansão usada como comitê da campanha de Dilma encalha

Casa de R$ 3,6 milhões no Lago Sul, em Brasília, está no mercado desde o fim da eleição de 2010

Mariângela Gallucci, de O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h01

Centro informal do poder durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff, uma mansão situada no Lago Sul, em Brasília, vive o estigma dos imóveis que servem às campanhas eleitorais na capital: são alugados por altos valores nos meses que antecedem o pleito, mas depois "micam" no mercado.

A presidente está quase no meio de seu mandato no Palácio do Planalto. Mas a casa que serviu de escritório político, colocada à venda logo depois das eleições, ainda não foi arrematada.

Anunciado por R$ 3,6 milhões, o imóvel de 720 metros quadrados de área útil localizado no bairro nobre do Lago Sul, em Brasília, está encalhado. Segundo consultores imobiliários ouvidos pelo Estado, a "mansão de Dilma" superou bastante o tempo médio de negociação de um imóvel similar.

Durante a disputa pela Presidência, Dilma frequentou quase diariamente a casa. No local, foram realizadas reuniões importantes com a equipe da campanha e aliados políticos. Era comum ouvir assessores elogiando o imóvel, que tem 4 suítes, piscina, campo de futebol, estacionamento e mais de 2 mil metros quadrados de área verde, com árvores tropicais e palmeiras. O jardim da casa era um dos locais preferidos pela então candidata ao Palácio do Planalto para dar entrevistas.

Além de escritório da campanha, o local foi usado pela equipe de marketing, chefiada pelo publicitário João Santana, para fazer gravações para programas eleitorais.

Proprietário do imóvel, o engenheiro Roberto d'Araújo Senna contou que a casa estava disponível para venda ou aluguel já na época da campanha eleitoral. Ele disse que somente depois de o aluguel ser acertado ficou sabendo que o imóvel seria usado pela campanha de Dilma.

Segundo o engenheiro, isso ocorreu porque o contrato foi feito por meio de uma imobiliária. Senna está conformado com a demora na venda do imóvel. "É uma casa boa, grande", disse o engenheiro, que há anos mora em São Paulo.

Durante a campanha ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff morou numa casa, também no Lago Sul, que foi alugada pelo PT. Na época, foi divulgado que o valor do aluguel era de R$ 12 mil mensais.

O imóvel, avaliado em R$ 2 milhões, estava localizado a cerca de dez quilômetros da casa onde funcionava o escritório e onde eram feitas as gravações da campanha. Dilma mudou-se para a residência depois de ter deixado o cargo de ministra-chefe da Casa Civil com o objetivo de se candidatar à Presidência da República. Como ministra, ela ocupava um imóvel funcional, também no Lago Sul.

Após a eleição, alegando necessidade de mais segurança, a presidente mudou-se para a Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República em Brasília. Após a posse, ela foi para o Palácio da Alvorada.

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