André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Manifestantes protestam contra autonomia do BC

Segundo Sindisep, independência da instituição seria entregar aos bancos poder econômico do Brasil

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2014 | 17h59


Enquanto a presidente Dilma Rousseff falava em São Paulo que o Banco Central não é eleito por tecnocratas e que não tem banqueiro em seu programa, negando que tivesse feito a "Bolsa Banqueiro", um grupo de aproximadamente 70 pessoas protestava contra a autonomia da instituição em sua sede, em Brasília. O tema da independência da instituição entrou de vez na campanha pela reeleição de Dilma, com uma propaganda que mostra a importância das decisões sobre os juros, o que afetaria a vida dos trabalhadores. A autonomia do BC é uma das bandeiras da candidata Marina Silva (PSB). Além disso, a coordenadora de programa de governo de Marina é Neca Setubal, herdeira do conglomerado Itaú Unibanco. 

Na entrada do BC, um grupo de cerca de 50 pessoas empunhava bandeiras com o nome de Dilma e Geraldo Magela (candidato ao Senado no Distrito Federal) para protestar contra a autonomia da autarquia. Apesar de ambos serem do Partido dos Trabalhadores (PT), atual governo, o BC reforçou a segurança de seu edifício. As portas giratórias ficaram impedidas de virar porque foram colocados cones no local. Já a porta principal está protegida por cerca de seis seguranças e todos que entram no prédio precisam se identificar, o que costuma ocorrer apenas 30 metros adiante, na recepção. "A manifestação parece tranquila. O reforço é preventivo", disse o supervisor de segurança da instituição, Davi Doca.

De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindisep), Oton Pereira Neves, a manifestação se dá para "proteger" o Banco Central da proposta da candidata à presidência pelo PSB, Marina Silva, de tornar a instituição autônoma. "É colocar a raposa para tomar conta do galinheiro", disse Neves, explicando que, se o BC obtiver independência, será "comandado" por bancos.

As frases do diretor são similares à apresentada na campanha de Dilma, divulgada mais cedo hoje. Diz a propaganda sobre a autonomia do BC: "significaria entregar aos banqueiros um grande poder de decisão sobre sua vida e de sua família. Os juros que você paga, seu emprego e até o seu salário. Ou seja, os bancos assumem um poder que é do presidente e do Congresso eleitos pelo povo. Você quer dar a eles esse poder?"

Segundo o secretário-geral do Sindisep, o protesto foi uma "chamada" feita pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Mais tarde, mais umas 20 pessoas chegaram ao local com faixas. Algumas delas traziam as seguintes frases: "A independência do Banco Central será benéfica apenas para os bancos"; "Queremos um Banco Central independente dos bancos e do mercado"; "O Sindicato e a CUT exigem um Bacen que se preocupe com a sociedade e com o desenvolvimento do País".

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