André Borges/Estadão
André Borges/Estadão

Universidades têm manifestações pró-Bolsonaro; na UNB, há confronto com estudantes

Na Universidade de Brasília, segurança retira manifestantes após briga dentro do campus; Na USP, FEA e repudia 'ações de incitação à violência'

André Borges e Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2018 | 17h45

BRASÍLIA - Um dia após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade de São Paulo (USP) tiveram manifestações políticas a favor presidente eleito nesta segunda-feira, 29. Em Brasília, manifestantes apoiadores de Bolsonaro e estudantes da UnB entraram em confronto. Na USP, não houve confrontos, apenas um ato de eleitores de Bolsonaro. 

Na UnB, a briga ocorreu no Instituto Central de Ciências (ICC), conhecido como "minhocão" na capital federal. O grupo de bolsonaristas, cerca de 30 pessoas, se reuniu em uma das entradas da universidade para realizar a manifestação, convocada pelas redes sociais durante a comemoração da vitória eleitoral desse domingo.

Entre eles, havia alguns estudantes da UnB, mas nem todos pertenciam à comunidade acadêmica. Eles vestiam camisetas verdes e amarelas e algumas estampadas com o rosto do futuro presidente da República, além de portarem bandeiras do Brasil e cartazes em apoio à “família”.

Eles foram instados a 'expulsar' comunistas da universidade. Centenas de universitários, no entanto, se aglomeraram na entrada do ICC e impediram o ingresso dos bolsonaristas com palavras de ordem. Os militantes de Bolsonaro se recusavam a deixar o campus. Houve briga durante a troca de provocações, com chutes e socos entre estudantes e manifestantes, que terminaram expulsos do edifício. 

A segurança terceirizada da UnB, apoiada por apenas dois policiais militares, retirou os manifestantes do local. Eles caminharam até outro prédio do campus, onde foram isolados. Ninguém foi detido. A polícia reforçou a segurança logo após o confronto ter sido debelado. Apesar da manifestação agendada e do confronto, havia aulas em andamento na universidade.

Universidade de São Paulo

As direções da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP se posicionaram a respeito de casos relacionados às eleições 2018 que ocorreram dentro da instituição nesta segunda-feira, 29.

A manifestação da FEA é relacionada a uma foto de alunos do curso de Administração dentro de uma sala de aula, que circulou nas redes sociais nesta segunda, em conjunto com a manchete da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ocorrida neste domingo, 28 e a sigla "B17" escrita na lousa.

Três estudantes estão sentados em frente à uma mesa, onde foi posicionada uma placa com a frase “está com medo, petista safada?” e “a nova era está chegando”, vestindo fantasias de exército e em apoio ao presidente americano Donald Trump. O terceiro estudante veste uma roupa em referência ao ditador norte-coreano Kim-Jong Un, e segura um revólver, que ainda não se sabe se é falso ou não. Um quarto estudante está escondido por trás de uma bandeira histórica americana, atualmente símbolo do patriotismo do país. 

A nota da FEA se posiciona em repúdio às “ações de incitação à violência que estão ocorrendo dentro do ambiente da USP, e particularmente da FEA”, também afirmando que o “que pode ser pensado como ‘brincadeira’ pode ser o estopim para um aumento da agressividade e mesmo ameaças”, além de assegurar que “ações que intimidem, ofendam e causem reações e danos serão rigorosamente coibidas e punidas”.

Por telefone, a assessoria informou que a nota não especifica o episódio da imagem em si porque também tem a intenção de se posicionar a respeito de um segundo episódio ocorrido nesta segunda, onde manifestantes haviam agendado um ato pró-Bolsonaro que sairia do prédio da Escola Politécnica (Poli) e iria em direção ao prédio da FFLCH.

O evento no Facebook da “Marcha do Chola Mais”, marcado para as 14h desta segunda, tinha quase 3 mil confirmados e 15 mil interessados até as 16h da segunda. Entretanto, segundo alunos e a reitoria da USP, poucas pessoas se mobilizaram. Em contraponto, alunos da FFLCH e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) se reuniram nos pátios dos prédios das Faculdades em protesto ao ato pró-Bolsonaro, aguardando a chegada do grupo. A reitoria estima que 700 estudantes e professores estiveram presentes.

A Polícia Militar acompanhou o grupo de militantes que saíram da Poli. Eles se dispersaram antes de chegar ao prédio da FFLCH, não havendo confrontos, como era temido pela reitoria. Em texto compartilhado pelo Centro Acadêmico no Whatsapp, pedia-se cautela para evitar confusão e informava que os portões da USP seriam fechados para pessoas sem vínculo à universidade ao meio-dia, o que segundo a reitoria, não ocorreu. A nota também informa que a organização do ato é ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL).  

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