'Manifestações têm de afetar o debate político', diz sociólogo

A internet mudou a forma como os protestos se organizam?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h05

Definitivamente afetou a velocidade em que as coisas acontecem. Mas temos assistido mobilizações de massa há 200 anos. A internet tem o poder de coordenar pessoas que antes tinham apenas ligações frouxas.

Os protestos mobilizados online rejeitam a ideia de hierarquia e líderes. Isso é uma novidade?

Vimos organizações assim antes, como o movimento feminista nos EUA. A internet talvez tenha aumentado a escala em que isso ocorre.

Muitos críticos dos protestos afirmam que seu maior defeito é a falta de demandas claras. O que o sr. pensa disso?

A falta de demandas claras permite que o movimento seja flexível. A mensagem mais ampla - de que a maioria das pessoas está isolada do processo político - unifica os insatisfeitos, mas esse isolamento se manifesta de forma muito diversa. A maneira de verificar se os protestos estão tendo sucesso é observar até que ponto eles afetam o debate político.

Alguns dizem que a internet pode ampliar a frustração com a democracia representativa, já que qualquer um pode manifestar suas ideias. O sr. concorda?

Sim. Acho que uma das melhores coisas sobre as mídias sociais é que elas permitem que o cidadão comum perceba que seus problemas individuais são compartilhados. Existe a possibilidade de amplificar vozes sem que ele precise ser intermediado por um político. / L.A.M.

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