Maluf experimenta pior desempenho da carreira

No entanto, candidato do PP diz que malufismo não acabou. 'Vou fazer uma reestruturação do partido em SP'

Pedro Venceslau, de O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 01h39

Nem parecia que o domingo era de eleição. Cumprindo o ritual dos fins de semana, Paulo Maluf (PP) encomendou 56 esfihas - 50 de carne e seis de ricota - e passou o dia com a família. Antes disso, às 10 horas, votou na Faculdade de Engenharia São Paulo, antigo colégio Sacre Coeur, na Avenida Nove de Julho. Dessa vez, porém, não encontrou uma multidão à sua espera, como nos bons tempos em que polarizava - e vencia.   Veja também: Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?   Especial: Veja o desempenho dos partidos nas capitais   Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  Cobertura completa das eleições 2008 Marta se diz 'satisfeita' em ter Kassab como adversário Perfil de Marta: ela trocou o divã pelo palanque Perfil de Kassab: Beto quer ficar mais 4 anos à frente da cidade Alckmin: de segundo colocado ao fim da linha 'Seguirei a decisão do PSDB no segundo turno', diz Alckmin Marta ataca Kassab e diz que vai comparar gestões no 2º turno Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo  Galeria de fotos dos candidatos à Prefeitura   Vereador digital: Depoimentos e perfis de candidatos em São Paulo   Tire suas dúvidas sobre as eleições   Na eleição em que registrou o pior desempenho de sua carreira - 6% segundo as projeções até às 23h50 - em uma campanha majoritária, Paulo Salim Maluf teve como rival a vereadora Soninha Francine (PPS), que fez uma campanha viral para superar o ex- governador, ex-prefeito e deputado federal. Não conseguiu, mas passou perto.   Pouco depois de votar, o candidato tentou evitar declarações sobre o confronto na ponta de baixo das pesquisas, mas acabou cedendo. "Tenho horror a drogas", disse, em referência a uma antiga declaração da vereadora Soninha, que disse já ter fumado maconha.   Ao longo do dia, nenhum político apareceu no casarão da família, no Jardins, onde poucos repórteres fizeram plantão. Mas o malufismo, segundo Maluf, não acabou. "Vou fazer uma reestruturação do partido em São Paulo, em todas as 645 cidades, para poder estar bem representado em 2010. Estaremos no palanque. Vou continuar, quer vocês gostem ou não. Em 2010 vocês estarão na minha casa me entrevistando como vitorioso."   O PP de Maluf define neste segunda sua posição no segundo turno. No mesmo dia, os dissidentes do partido, liderados pelo deputado Celso Russomano, arqui-rival interno de Maluf no partido, também se reúnem. "Desde o começo sabíamos que Maluf não passaria dos 8%. As pesquisas do PP mostravam que ele tinha 52% de rejeição, mas ele é teimoso. Traiu o partido, que tinha definido por minha candidatura. Deu no que deu", diz Russomano.   O PT já deixou claro: não quer Maluf na campanha, como em 2004. A cúpula do partido diz que não fará, nem está fazendo "nenhum tipo de tratativa com Maluf". Os petistas estão convictos de que ele apoiará informalmente Gilberto Kassab no segundo turno, mas não aparecerá na campanha de TV.   Jesse Ribeiro, secretário-geral do PP e coordenador da campanha, tenta explicar o desempenho de Maluf. "Enfrentamos três máquinas e um candidato à reeleição. Além disso, as pesquisas freqüentes de opinião forçaram a polarização e o voto útil." Sobre o futuro político de Maluf em 2010, ele diz: "Se o partido tiver um candidato com mais apelo popular do que ele para disputar o governo do Estado, será nosso candidato. Mas esse nome não existe."   Queda livre   Em 1988, ano em que disputou sua primeira eleição majoritária pelo voto direto, Maluf liderou as pesquisas à prefeitura até a última semana, quando foi superado por Luiza Erundina (PT). Em 1989, na eleição presidencial vencida por Fernando Collor (PRN), ficou em 5º lugar. Em 1990, perdeu a eleição para o governo do Estado para Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) no segundo turno.   Em 1992, ganhou a disputa com Eduardo Suplicy (PT) pela prefeitura paulistana. Depois elegeu seu sucessor em 1996, Celso Pitta. Mas em 1998 perdeu a disputa pelo governo para Mário Covas (PSDB). E em 2000 perdeu a prefeitura para Marta Suplicy (PT). Na disputa pelo governo paulista, em 2002, e pela prefeitura de São Paulo, em 2004, nem chegou ao segundo turno.

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