Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Mais ajuda quem não atrapalha', diz Valter Pomar, criticando Cid e Wagner

Líder da Articulação de Esquerda afirma que irmão de Ciro provocou "conveniente bate-boca" e que comentários de Wagner viraram "cereja do bolo"

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 17h39

A difícil situação do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, vem provocando divergências não apenas no comando da campanha como também entre dirigentes do partido, que também procuram culpados pela crise. Em artigo intitulado “É hora de jogar a toalha?”, Valter Pomar, líder da corrente Articulação de Esquerda, ironizou nesta terça-feira, 16, a atitude de petistas e até mesmo de aliados que julgam ser mais importante cobrar agora uma autocrítica do PT do que derrotar o adversário Jair Bolsonaro (PSL).

“Quem está em pânico, quem acha que a derrota é certa, quem prefere ir embora, por favor vá já, pois mais ajuda quem não atrapalha”, escreveu Pomar, ao lembrar o bate-boca do senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) com petistas.

Na noite de segunda-feira, ao participar de um ato de apoio a Haddad no Ceará, Cid disse que o PT precisaria fazer um mea culpa dos erros cometidos nos últimos anos. “Tem que pedir desculpas, tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira”, afirmou o ex-governador, que é irmão de Ciro Gomes, candidato derrotado do PDT.

Diante do protesto da plateia, Cid engrossou o tom. Sob vaias, chamou militantes do PT de “babacas” e previu que o partido iria “perder feio”. “É assim? Pois tu vai perder a eleição”, reagiu ele, olhando para um homem que, de pé, fazia sinal negativo. “Não admitir os erros que cometeram (...) é para perder a eleição. E é bem feito", emendou.

Para Pomar, Cid provocou "um conveniente bate-boca”, enquanto Ciro viajou para a Europa logo após o primeiro turno. As cenas da discussão serão usadas no programa eleitoral de TV de Bolsonaro. Na primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo do segundo turno, divulgada nesta segunda-feira, o capitão reformado do Exército lidera a corrida presidencial com 59% da intenções de voto. Haddad aparece com 41%.

Ao dizer que “quem escolhe lutar, mesmo sabendo que a ‘munição’ é pouca, o risco é alto e a vitória, incerta”, não joga a toalha, Pomar também deu estocadas no senador eleito Jaques Wagner (PT-BA). Coordenador da campanha de Haddad, Wagner era um dos que defendiam o apoio do PT a Ciro, quando já estava claro que a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso da Lava Jato, seria barrada pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa.

Apanhei muito do PT naquela época. Mas eu sempre disse que a política de zerar adversário não leva a lugar nenhum”, argumentou Wagner. No diagnóstico de Pomar, os comentários do ex-governador da Bahia são como a “cereja do bolo”, coroando as trapalhadas da campanha. “O senador eleito Jaques Wagner acha que contribui repetir como ele acha que as coisas deveriam ser, se elas não fossem como são”,  insistiu o líder da Articulação de Esquerda. Wagner não respondeu.

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