Maioria do PDT ameaça deixar a base se Lupi cair; 'Só saio à bala', desafia ele

Na véspera da votação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), a maioria da bancada do PDT emparedou a presidente Dilma Rousseff e anunciou que, se o ministro Carlos Lupi (Trabalho) for demitido, a legenda sai da base do governo. "Caso o ministro Lupi saia, o PDT também sai do governo", afirmou o líder do partido na Câmara, Giovanni Queiroz (PA). A manifestação da liderança ocorreu um dia após alguns integrantes do PDT terem pedido que a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal investiguem suposto esquema de corrupção no ministério.

JOÃO DOMINGOS, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2011 | 03h07

Lupi vem enfrentando uma série de denúncias sobre a assinatura de convênios da pasta com ONGs de fachada e cobrança de propinas dessas entidades.

Ontem, o ministro foi provocativo ao falar de sua permanência no governo. "Para me tirar só abatido à bala - e precisa ser bala forte, porque eu sou pesadão." Lupi foi além e disse que não deixará o cargo nem na futura reforma ministerial. "Duvido que a Dilma me tire. Ela me conhece há 30 anos", disse ele, logo depois de uma reunião com a bancada de parlamentares do PDT em que apresentou suas defesas a respeito dos convênios.

O PDT aproveitou-se do momento delicado vivido pelo governo para dar o ultimato. O partido tem 26 deputados e cinco senadores. Para aprovar a DRU, o governo precisa de 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em duas votações em cada Casa. Os cálculos mais otimistas do governo são de que terá por volta de 328 votos na Câmara. Se perder os 26 do PDT, adeus DRU. A desvinculação permitirá ao governo gastar R$ 62 bilhões no ano que vem de forma livre.

No Palácio do Planalto a avaliação pela manhã era de que a situação do ministro era relativamente tranquila, visto que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que não havia nada contra ele. As denúncias, até agora, são consideradas frágeis, de acordo com o Planalto.

Mas as declarações de Lupi surpreenderam o governo. Auxiliares de Dilma avaliaram que Lupi repete o ex-ministro Nelson Jobim (Defesa), que caiu por causa de afirmações tidas como sinal de desobediência.

Tensão. A reunião de Lupi com os parlamentares começou tensa, mas foi mudando com o passar do tempo. O ministro comunicou ao deputado Antonio Reguffe (DF) e ao senador Pedro Taques (MT) que aceitava o fato de eles - juntamente com o deputado Miro Teixeira (RJ) - terem ido à Procuradoria-Geral da República pedir investigação das denúncias contra ele por considerar que o PDT é um partido democrático, com pluralidade de ideias. Mas, segundo Lupi, os parlamentares agiram com atraso, porque ele mesmo já pedira antes a apuração das denúncias, também ao procurador-geral.

Lupi afirmou ainda que no domingo tinha sido procurado por Miro Teixeira - ausente da reunião de ontem. O deputado lhe disse que assinaria um requerimento para que a PGR abrisse as investigações. "Eu respondi: você vai chegar atrasado, porque também estou pedindo isso". Quando falou a respeito de Lupi, Brizola Neto fez a mais veemente defesa de Lupi: disse que o PDT era o alvo dos ataques. A partir daí todos os presentes se solidarizaram com o ministro.

Licença. Ao deputado Reguffe restou defender a licença de Lupi durante as investigações. "Seria uma forma diferente de enfrentar as denúncias. Em vez de resistir, pedir licença e deixar que as investigações sejam feitas", disse o parlamentar. Só foi acompanhado pelo senador Pedro Taques.

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