Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maior doador do PSL em 2018 troca Bolsonaro por apoio a Moro

Empresário Wilson Picler reclama que presidente não cumpriu promessa de acabar com a reeleição e quer disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 11h02

Maior doador individual do PSL em 2018, partido pelo qual Jair Bolsonaro disputou a eleição presidencial, o empresário paranaense Wilson Picler, do grupo educacional Uninter, não vai apoiar sua reeleição. Ex-deputado federal, o Professor Picler defende, dessa vez, a candidatura do ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) ao Planalto. A informação foi antecipada pela revista "Veja".

Em 2018, o empresário doou R$ 800 mil para o PSL paranaense como forma de fortalecer politicamente a legenda, já que o fundo partidário disponível para a sigla a qual Bolsonaro estava filiado era muito pequeno.

Picler, que declarou em 2018 ter patrimônio de R$ 48,9 milhões, lista duas razões centrais para se alinhar dessa vez ao lado de Moro em vez de Bolsonaro. A primeira é que o presidente não manteve a promessa de acabar com a reeleição. A segunda é que entende ser necessário apoiar os valores da Operação Lava Jato, especialmente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa.

“Não tenho nada contra o Bolsonaro”, afirmou Picler ao Estadão. “Ajudei ele. Na época, ele disse que não haveria reeleição, que ia acabar com a reeleição, que não concorreria à reeleição. Também falou muito de Lava Jato. No fim, acabou tendo reeleição e a Lava Jato sofreu um revertério muito grande”, ressalta Picler, que hoje está filiado ao Patriota, mas deve trocar de legenda para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná.

“O Bolsonaro já governou. Está terminando o mandato dele. E eu sou contra a reeleição para cargos de Executivo. Faço parte de um rol de brasileiros que estão frustrados com o que aconteceu com a Lava Jato. E se o Lula vai disputar a eleição, então o Sérgio Moro é fundamental nessa disputa”, acrescentou.

O empresário cita a pesquisa feita pelo Instituto Data Veritas, ligado à Uninter, que indica amplo apoio dos entrevistados em relação ao trabalho da Lava Jato.

“Nessa pesquisa, perguntamos ao público se achava que a Lava Jato tinha feito mais bem ao Brasil do que mal. 76% responderam que a Lava Jato fez mais bem do que mal. É muito expressivo esse número. A Lava Jato foi uma coisa impressionante que aconteceu no Brasil. E a proposta do Moro me convence. Esse é o caminho acertado ao meu ver”, disse.

E Picler bate na tecla de que a disputa será importante para que Moro possa esclarecer todas as dúvidas sobre os trabalhos da Lava Jato, especialmente em relação às condenações do ex-presidente Lula e que acabaram perdendo a validade.  

“Esse fato de o Lula estar participando da eleição enseja, quase que obrigatoriamente, a participação do juiz Sérgio Moro. Ele tem dito que está sendo convocado porque percebeu que os brasileiros ficaram sem um norte”, afirmou. “Se acontecer de Moro ir para o segundo turno contra o Lula, será como se o ex-presidente estivesse indo a uma espécie de júri popular.”

O empresário é otimista em relação às chances de Moro na disputa presidencial. “Acho que ele está sendo convocado por um grupo de eleitores que não concorda com nenhum dos dois lados. Acho que tem voto para ele e é bastante. Se é o suficiente para ir ao segundo turno eu não sei. Isso é o eleitor que vai decidir no dia. Até lá nós temos de fazer o debate”, afirmou.

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