Maia questiona conduta do ex-presidente do STF

Petista que preside a Câmara diz ter 'dúvidas sobre o comportamento' de Gilmar Mendes porque assunto só veio à tona um mês após encontro

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, DAIENE CARDOSO, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2012 | 03h05

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem ter "dúvidas sobre o comportamento" do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que afirmou ter sido pressionado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para adiar o julgamento do processo do mensalão.

"Eu tenho dúvidas sobre o comportamento do ministro Gilmar Mendes. Há um questionamento sobre por que ele veio tratar deste assunto exatamente agora, depois de um mês da realização da reunião", disse.

O deputado também defendeu o ex-presidente. "Eu não acredito que o presidente Lula tenha expressado ou tenha tratado o assunto da forma como foi relatada pelo ministro Gilmar Mendes."

Maia manifestou preocupação com a "politização" do julgamento do mensalão e disse serem "naturais" conversas entre políticos e integrantes da corte sobre o tema. "Qualquer cidadão envolvido com a política, se se deparar com um ministro do STF, vai tratar sobre este assunto, vai perguntar, vai tentar entender, pelo impacto que se tem sobre a questão eleitoral."

União. O presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), também saiu ontem em defesa de Lula e pediu união da militância petista para "desbaratar" o episódio. Para ele, trata-se de uma "manobra da oposição" para tirar o foco da possível convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pela CPMI do Cachoeira.

Em vídeo de dois minutos divulgado em seu site, Falcão ressalta que a polêmica sobre o encontro entre Lula e Mendes em abril ocorre no momento em que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira se prepara para convocar o tucano Marconi Perillo.

Segundo Falcão, Perillo estaria "envolvido em graves denúncias de participar da organização criminosa". "Evidente que se tenta embaralhar as conclusões da CPMI do Cachoeira. Todos sabem que essa CPMI (...) pretende desvendar todos os crimes da organização criminosa que se formou com uma base muito forte no Estado de Goiás", afirma o petista. Falcão recomenda que a militância fique "atenta às manobras" da oposição, a qual estaria "tentando comprometer" Lula com um encontro com o ministro Gilmar Mendes.

Falcão lembra que a versão de que Lula teria oferecido blindagem a Mendes na CPMI em troca de um acordo para adiar o julgamento do mensalão, relatada pelo ministro do STF, foi desmentida pelo ex-ministro da Defesa e do STF Nelson Jobim. "Portanto, militância do PT, vamos ficar atentos, vamos desbaratar mais essa manobra daqueles que querem desmoralizar o PT, o presidente Lula, com nítidos objetivos eleitoreiros também", conclui.

No vídeo, Falcão acrescenta ainda que os ministros do STF não são suscetíveis a pressão externa e que espera da Corte um julgamento objetivo com base nos autos processuais. "É o que se espera, inclusive, que eles façam quando do julgamento do processo do chamado mensalão", afirmou.

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