Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maia cogita aliança com Ciro Gomes no segundo turno

No entanto, presidente da Câmara dos Deputados ressaltou que o ex-ministro não é a primeira opção dos partidos do chamado Centrão

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 11h50

BRASÍLIA - Pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo DEM, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), afirmou nesta quarta-feira, 13, que, embora o caminho natural seja apoiar Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) será uma "opção clara" para o DEM num eventual segundo turno, dependendo das opções.

Ele minimizou desavenças antigas entre integrantes do DEM e o presidenciável do PDT e defendeu "potencializar aquilo que teve de positivo" na relação entre eles, para que possam continuar dialogando. Ele lembrou, por exemplo, que Ciro apoiou a eleição de seu pai, o hoje vereador César Maia à Prefeitura do Rio no ano 2000 e que, em 2002, parte do DEM (então PFL) apoiou a candidatura do ex-ministro ao Planalto pelo PPS.

"Cada um tem seu estilo. Alguns gostam, outros não gostam. Tenho perfil mais conciliador, falo mais baixo. No momento do calor, a gente às vezes erra. O importante é, quando a gente fala uma frase muito dura contra alguém, ter capacidade de compreender no futuro que pode ter se excedido", afirmou Maia ao falar de Ciro em entrevista após evento promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

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"Vamos potencializar aquilo que teve de positivo na relação para que a gente possa continuar dialogando", acrescentou, ressaltando que, caso feche uma aliança com Ciro, o DEM vai defender sua agenda e tentará, por exemplo, convencer o pedetista da importância da reforma trabalhista.

Ele ainda ressaltou que é "claro" que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) não é a primeira opção de aliança dos partidos do chamado Centrão na disputa presidencial, mas ponderou que não se pode restringir o diálogo. Segundo ele, "é natural" que o centro tenha mais condições de diálogo com o ex-governador  e com o senador Álvaro Dias (Podemos-PR), mas isso não significa interditar conversas com legendas da oposição.

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"[Ciro] é a maior probabilidade para o DEM? Claro que não é. Mas, se criamos esse ambiente chamado centro, que nunca existiu, se alguém restringe esse diálogo com A, B ou C, não é mais centro", afirmou o parlamentar fluminense. "É natural que a gente tenha mais condições de diálogo com o governador Geraldo Alckmin, com o senador Álvaro Dias, mas não significa que a gente não possa conversa com PDT, PCdoB", declarou.

Maia deve se reunir nesta quarta-feira, em Brasília, com o ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT), coordenador político da campanha presidencial do PDT. O presidente da Câmara afirmou que, na semana passada, conversou com Alckmin e que deve falar novamente com o tucano nos próximos dias. Disse ainda ter conversado há algumas semanas com Dias, que teria admitido ao deputado do DEM que abriria mão de sua candidatura em nome de uma união dos partidos de centro. "Se for convidado ou se eu convidar, também posso sentar com o Ciro para conversar", afirmou.

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Desistência. Maia admitiu que poderá desistir de sua candidatura, em julho, caso entenda que há algum candidato com mais probabilidade de vitória do que ele. "Se a gente tiver transparência no debate, não tenho problema nenhum de chegar no dia 30 de julho e entender que tem um caminho que tem mais viabilidade do que o meu para construir palanques regionais e tempo de televisão. Por enquanto, não vejo ninguém com essas condições e não vejo ninguém no nosso campo, neste momento, com capacidade de liderar", disse o presidente da Câmara.

++ A cobiça pelos votos de Dias O parlamentar fluminense avaliou que, hoje, a oposição é o campo vitorioso na eleição presidencial. Na avaliação dele, os candidatos de centro, como ele, estão com desempenho ruim nas pesquisas porque, para a sociedade, estão ligados ao presidente Michel Temer, que será o principal contestado nas eleições. "O campo vitorioso nessa eleição, neste momento, é o de oposição. Esse campo de centro-direita, no imaginário da sociedade, está próximo do presidente da República, que será contestado na eleição.", declarou. Para ele, erra quem acredita que o ex-presidente Lula (PT), condenado e preso pela Operação Lava Jato, será o foco de ataques da eleição.

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