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Mãe de Palocci substitui filho no palanque

Dona Toninha é escalada para campanha de candidato do PT à prefeitura de Ribeirão Preto

O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h05

Pela primeira vez desde que foi eleito vereador em Ribeirão Preto, há 24 anos, o ex-ministro Antonio Palocci deixará de pedir votos para si mesmo ou para qualquer outro candidato do PT. Desde que foi exonerado da Casa Civil, em junho de 2011, ele está recluso e dedicando-se às consultorias empresariais.

Mas o partido deu um jeito de ter a família Palocci no palanque do candidato petista a prefeito de Ribeirão, o juiz aposentado João Gandini. A mãe do ex-ministro, Antonia Palocci, conhecida como Dona Toninha, foi escalada para participar de eventos de campanha na cidade, que foi duas vezes administrada por seu filho.

"Na conversa que tive com o Palocci ele me disse: 'Estou longe de política partidária e não vou participar'. Respeito a posição, é uma opção que ele tomou e a mãe dele está aqui me apoiando", disse Gandini. "Não me senti à vontade para perguntar as razões que ele teve."

Dona Toninha confirmou ao Estado que seu filho não está envolvido em nenhuma campanha este ano, embora mantenha contato com dirigentes do PT. "Estou fazendo o que posso (pela candidatura de Gandini)", afirmou. Segundo a mãe de Palocci, o ex-ministro está "focado no trabalho mesmo" e já superou o episódio que culminou com sua saída do governo. "Ele faz o que gosta e não tem ressentimentos", disse. O ex-ministro não foi localizado pela reportagem.

Gandini deixou a toga no ano passado e filiou-se ao PT a tempo de disputar a prefeitura. Ironicamente, em 2009 ele abriu um processo em que Palocci era acusado de improbidade administrativa - a promotoria entendeu que uma licitação foi dirigida para a compra de cestas básicas com molho de tomate refogado com ervilhas. Gandini não chegou a dar uma sentença sobre o caso envolvendo Palocci.

Desempenho. Mesmo sem aparecer ao lado de Palocci ou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - cuja gravação para a propaganda na TV vai ao ar na próxima semana -, Gandini saiu de 4% para 12% em duas pesquisas do Ibope, divulgadas respectivamente em 19 de julho e 30 de agosto pela EPTV, afiliada da Rede Globo. O candidato já recebeu apoio de deputados como Arlindo Chinaglia e Ricardo Berzoini e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A prefeita Dárcy Vera (PSD) assumiu a liderança, com 36%, seguida pelo tucano Duarte Nogueira, com 24%.

Para aliados de Gandini, o candidato terá de subir nas intenções de voto sem contar com Palocci. O presidente do PT de Ribeirão Preto, Pedro Sampaio, está conformado com esse quadro. "Quanto ao fato de ele aparecer ou não, não podemos cobrar do companheiro que ele esteja em todos os lugares, em todos os momentos; o PT tem de andar, indiferente dos companheiros."

"Ser demitido duas vezes é muito para uma liderança política como o Palocci, que doou parte de sua vida para o partido", disse um líder petista. A primeira exoneração de Palocci, titular da Fazenda no governo Lula, em março de 2006, ocorreu pela suspeita de envolvimento na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

Na segunda exoneração, já no governo Dilma Rousseff, Palocci foi acusado de não declarar ganhos obtidos por meio de uma consultoria privada, a Projeto. Com as denúncias, deixou a chefia da Casa Civil após pouco mais de cinco meses. / GUSTAVO PORTO e DAIENE CARDOSO, AGÊNCIA ESTADO

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