Madri deu passaporte usado por Pizzolato

Ministério do Interior italiano afirma que documento usado por foragido é de 2010

Jamil Chade, Enviado Especial / ROMA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2013 | 02h04

Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil condenado a 12 anos de prisão, transferiu residência do Rio para a Espanha em 2010, quando o processo do mensalão ainda aguardava julgamento no STF - e o passaporte italiano com que entrou na Itália, ao fugir do Brasil há cerca de 50 dias, foi tirado naquela mesma época, em Madri.

A informação, levantada pela deputada ítalo-brasileira Renata Bueno, foi confirmada nessa segunda-feira, 25, à noite pelo Ministério do Interior italiano. Segundo fontes policiais subordinadas a esse ministério, a obtenção do passaporte madrilenho seria "um dos primeiros indícios de que a fuga já estava sendo planejada".

A deputada, eleita para a Câmara dos Deputados na cota que representa italianos que vivem na América do Sul, vem investigando os passos do foragido brasileiro naquele país.

Outro indício sobre o planejamento da fuga por Pizzolato, apontado pela polícia italiana, é que ele teria ido à Europa pelo menos uma vez - quem sabe duas. Outras informações apontam que o ex-diretor do BB teria uma irmã vivendo na Toscana.

Pizzolato foi condenado no mensalão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Seu passaporte brasileiro e, ao que tudo indica, outro italiano, foram recolhidos pela Polícia Federal assim que saíram as sentenças, no fim de 2012.

Não há garantias, segundo a deputada, de que o passaporte italiano por ele obtido em Madri em 2010 tenha sido devolvido à Polícia Federal no Brasil. Ele pode, por exemplo, ter devolvido um passaporte antigo.

Trocas. A reconstrução de seus passos indica que Pizzolato fez seu pedido de cidadania italiana em Curitiba. Anos depois, ele mudaria seu endereço perante os italianos para o Rio. E num terceiro momento - já em 2010 - ele alterou de novo essa residência para a Espanha, registrando-se no consulado italiano em Madri.

Informações extraoficiais passadas a Renata Bueno dão conta de que a fuga de Pizzolato foi planejada muito antes e não foi um ato isolado. "Temos informações de que ele está sendo respaldado e patrocinado por um grupo muito forte em sua fuga", disse a deputada. "Ele tem acesso livre na América do Sul, usando documentos e nomes falsos, com total respaldo." Esse grupo "está fazendo uma ligação entre Brasil e Itália". Renata disse que o PT tem "diálogo com o Partido Democrático (que governa a Itália)", com o qual pode "negociar em qualquer nível".

Tudo o que sabemos sobre:
MensalãoHenrique Pizzolato

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.