Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Macarrão de 'Dilma Palmirinha' não é genovês, dizem chefs de cozinha

Presidente diz que receita, apresentada no horário político como tentativa de humanizar a candidata, seria de Génova, mas especialistas rebatem

Vera Rosa, Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2014 | 15h37

O espaguete "genovês" que a presidente Dilma Rousseff prepara no horário político da televisão não é da cidade de Cristóvão Colombo. Além disso, há uma controvérsia sobre sua origem. Ao encarnar a famosa cozinheira "Palmirinha", como o site  da campanha petista batizou a candidata à reeleição, para  humanizar sua imagem, Dilma acabou inventando uma nova receita, que ninguém sabe de onde veio.

No macarrão bolado pela presidente, já chamado a boca pequena de "dilmês", o "segredo" é misturar a gema de ovo na pasta. "Aí você pega o queijo Grana Padano e joga. Depois põe pimenta do reino moída, branca. Vai ver se não é bom", disse Dilma, em entrevista ao Estado.

Para o chef napolitano Rosario Tessier, dono da Trattoria da Rosario – uma das referências da cozinha italiana em Brasília –, o espaguete de Dilma é o clássico "cacio e pepe", de Roma. Parece a coisa mais simples do mundo, mas a mistura dos ingredientes não pode ser nem muito rápida nem muito devagar, porque senão tudo esfria e desanda.


"A gente coloca um pouquinho de gema de ovo para dar liga, queijo Gran Padano, queijo de cabra curado e queima alho, manteiga e cebola só para dar um gostinho", ensinou Tessier. A receita tradicional leva queijo Pecorino, mas há variações.

Na avaliação do chef Ville Della Penna, que já pilotou o fogão do Palácio da Alvorada no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a pasta de Dilma é uma "versão" do espaguete à carbonara, só que sem pancetta ou bacon. O genovês "da gema" mesmo leva molho pesto, que tem manjericão.

"No norte da Itália, o carbonara tem pancetta, mas no sul, não. Esse macarrão é um carbonara sem bacon", garantiu Della Penna, que integra a federação italiana dos chefs de cozinha. "Sei lá se é genovês ou não. É meu", definiu Dilma, encerrando a polêmica.

Lulinha. Para provar que tem dotes culinários, apesar da "incredulidade geral", a presidente também explicou ao Estado o modo de preparo de outra receita: a linguiça apimentada com molho de tomate.

"Mas aí 'ocê' tem de comprar no açougue do Moacir, lá em Porto Alegre, na rua em frente do Hospital Menino Deus", descreveu ela, rindo e caprichando no sotaque mineiro, de Belo Horizonte. "É o seguinte: 'ocê' tira tudo de dentro da linguiça e faz um molho normalzinho de tomate. Bota isso e põe alcaparra. Essa receita é muito boa, mas tem de ser com linguiça apimentada. É o que eles chamam de diavola, molho picante com pepperoni, muito usado em pizza. É apimentadérrimo", comentou Dilma.

Ville Della Penna disse que o nome da linguiça é 'Lulinha'. "É uma coincidência, mas é isso mesmo", divertiu-se o chef. "É uma linguiça apimentada e pouco curada. Você tira os miúdos, refoga com alho e cebola e põe extrato de tomate para fazer um ragu. Fica uma delícia."

A linguiça também pode ser a "do caçador", segundo Rosario Tessier. "Fica muito bom quando se mistura com vários tipos de carne", atestou o chef, que, nesse caso, recomenda um toque final com pimenta calabresa. Em tempos de campanha, então, pimenta nunca é demais.

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçãoDilma Rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.