Lupi: 'Tem ladrão na política e na mídia'

Homenageado na Assembleia do Rio e apoiado por centenas de pedetistas, ele promete acabar 'com ciclo de derrubada de ministros no grito'

FELIPE WERNECK / RIO , O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h02

Na berlinda por conta de denúncias de corrupção na pasta que comanda, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, voltou a atacar a imprensa brasileira em discurso ontem à noite na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), após receber os títulos de Cidadão e Benemérito do Estado. "Se tem ladrão na política? Tem em todas as categorias, inclusive no jornalismo brasileiro", afirmou.

Repetindo as bravatas da última semana, Lupi, em tom agressivo, afirmou em seu discurso que vai "mudar esse ciclo de derrubada de ministros no grito". "Comigo, não", bradou na Assembleia, criticando denúncias "acobertadas pelo anonimato" e divulgadas na mídia. Referindo-se à sequência de denúncias que envolveram o Ministério do Trabalho nas últimas semanas e à reportagem da revista Veja que revelou suposta cobrança de propina na pasta, advertiu que pretende "debater o papel da imprensa brasileira".

Lupi afirmou que jornalistas "hoje podem escrever o que quiserem, mas devem dar o legítimo direito à defesa". Em seguida cantou um trecho do samba "Volta Por Cima" e disse que "ter o lombo duro não é fácil".

A homenagem ao ministro foi uma iniciativa do líder do PDT na Alerj, deputado Luiz Martins, que a justificou como "reconhecimento pela trajetória profissional" de Lupi.

Em meio a acusações de corrupção contra assessores próximos, o ministro recebeu o apoio do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e dos prefeitos de São João de Meriti, Sandro Matos (PR), e de Niterói, Jorge Roberto Silveira (PDT), entre outros, que discursaram em sua defesa.

Bandeiras do PDT e cartazes de apoio ao ministro, criticando o "denuncismo sem provas", foram levados para a sessão, que recebeu cerca de 600 pessoas, segundo a assessoria de imprensa da Alerj. O ministro levou sua mãe, Carmelita Lupi, para assistir à cerimônia.

"Quem não deve, não teme. Nosso corpo é fechado. Vamos vencer com trabalho", disse o ministro, que já havia sido advertido pela presidente Dilma Rousseff por seus excessos, quando disse que só deixaria o cargo "abatido à bala".

Apoio. Lindberg foi enfático na defesa de Lupi. "Fiz questão de passar aqui e colocar a minha cara junto da cara do senhor. Não há denúncia concreta que envolva o ministro", discursou.

Segundo o petista, Lupi "sempre foi aquele que puxou o governo para o lado do povo", nas gestões de Lula e Dilma. "A Dilma simboliza o encontro do PT e do PDT. Estão querendo atacar o Lupi pelas ideias do PDT, para atacar a esquerda", acrescentou o senador petista. "Ficarei com ele até o fim". O prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, disse ter "orgulho" de ser presidido no PDT pelo ministro. "O Brizola preparou o Lupi."

"Em 1964, a imprensa marrom acusou Jango, e em 2001 querem repetir a história com Lupi", dizia um dos cartazes do partido. As 350 cadeiras do plenário estavam ocupadas, além das galerias. Um assessor não identificado fotografou jornalistas que cobriam o evento. Outra assessora, que perguntou em que veículos os repórteres e fotógrafos trabalhavam, disse que o pedido havia sido feito pelo ministro.

A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) também defendeu Lupi. "Detesto o fuzilamento moral de inocentes. Não apareceu nada contra o Lupi. Hoje, os jornais são verdadeiras centrais de inteligência."

Três deputados do PDT não compareceram, entre eles Paulo Ramos, que pediu o cancelamento da sessão sob a alegação de que não seria o momento adequado para prestar a homenagem ao ministro.

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