Lupi fica, mas PDT deve perder pasta na reforma

Ministro, acuado por suspeitas de irregularidades, foi garantido no cargo pelo Planalto, que em 2012 pretende desalojar o PDT do comando do Trabalho

EUGÊNIA LOPES , TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h08

Passadas três semanas do início da crise no Ministério do Trabalho, cresceram as chances de o PDT perder a pasta na reforma ministerial programada pela presidente Dilma Rousseff para o primeiro bimestre de 2012.

O partido não recebeu nenhuma garantia do Palácio do Planalto de que manterá a pasta comandada por Carlos Lupi, mesmo que vingue a ideia do presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), de afastamento do ministro Carlos Lupi e de sua substituição por um outro pedetista.

A estratégia montada por Paulinho e seu grupo de dar um "aviso prévio" para saída de Lupi e pôr em seu lugar um aliado contraria o Planalto. Não foi à toa que o ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, mandou ontem um recado claro ao PDT ao afirmar que o regime é presidencialista e "Lupi continua ministro e a vida segue para nós".

"Primeiro, não estamos num parlamentarismo. Segundo, não há manifestação formal do PDT de se retirar da base aliada. Pelo contrário, há uma reafirmação e a atitude deles é muito nobre de reafirmar o apoio ao governo", disse Gilberto Carvalho.

O temor do PDT é que na reforma ministerial perca o Trabalho para o PT, que reivindica a pasta que ocupou até 2007. Na dança das cadeiras a ser promovida por Dilma, a tendência é os pedetistas ficarem com outro ministério. Diante dessa constatação, o líder do partido na Câmara, Giovanni Queiróz (PA), começou a defender que o PDT ganhe uma pasta como maior "capilaridade", como Cidades ou Desenvolvimento Social.

Os planos da presidente Dilma seriam, no entanto, bem diferentes das pretensões da bancada da Câmara. O escolhido para representar o PDT no novo Ministério seria o ex-senador Osmar Dias (PDT-PR). É a forma em estudo para compensá-lo pelo abandono de sua candidatura à reeleição ao Senado, no ano passado, só para dar palanque para a campanha presidencial de Dilma no Paraná, pois ele aceitou disputar o governo.

Diante do enquadramento do Palácio do Planalto, a cúpula do PDT tentou minimizar a tentativa de aviso prévio à Lupi engendrada em reunião da legenda na noite de anteontem. "Pelo partido, esse assunto todo está encerrado. Cabe à presidente Dilma avaliar a permanência dele", afirmou o secretário-geral do PDT, Manoel Dias. Ao mesmo tempo, históricos do PDT começaram a recolher assinaturas para forçar a autoconvocação do Diretório Nacional. Essa reunião deveria ter ocorrido há duas semanas, mas foi abortada por Lupi.

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