Lupi admite voo, mas não diz quem pagou

Adair Meira, da ONG que reservou o avião King Air, disse que o ministro Lupi jantou na casa dele, em Goiânia, em 2010

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h06

Sem apresentar "provas materiais" para comprovar o pagamento pela carona no avião King Air providenciado por um empresário-ongueiro, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em depoimento ontem no Senado, reconheceu que compartilhou um voo com Adair Meira. O empresário preside uma rede de ONGs que têm convênios de R$ 13,9 milhões com o ministério. O voo ocorreu no Maranhão, em dezembro de 2009.

Adair Meira é o empresário que Lupi, no dia 10, em depoimento na Câmara, disse não conhecer. E reforçou: "Não tenho absolutamente nenhuma relação (com o empresário)". Ontem, o ministro disse que, ao se preparar para o depoimento no Senado, lembrou que se encontrou com o empresário, em Goiânia, em 2010.

"Eu fui convidado para um jantar. E nesse jantar estava presente o doutor Adair", disse Lupi aos senadores, escondendo o local do jantar.

Em entrevista ao Jornal Nacional (TV Globo) Adair Meira disse que o jantar foi na casa dele, "para as lideranças do PDT, em homenagem ao ministro (Lupi), que estavam visitando Goiás".

Ao admitir para os senadores que pegou uma carona no King Air, o ministro jogou a responsabilidade pelo pagamento da aeronave a Ezequiel Nascimento, ex-secretário de Políticas Públicas do ministério.

"Quem tem que explicar o pagamento dessa aeronave não sou eu. Compete ao Ezequiel pagar. Não tenho obrigação de saber (quem pagou). Não solicitei a aeronave", disse Lupi. "Eu disse que não tinha andado em avião pessoal, é diferente você andar em um taxi aéreo", argumentou.

"A memória às vezes falha, eu sou humano. Quantos ministros, deputados, senadores podem ter usado carro, avião em atividades rotineiras de quem não conhece? Meu erro foi não checar." A denúncia de que Lupi teria andado numa aeronave bancada pelo empresário Adair Meira foi publicada pela revista Veja. Ainda no sábado, o Ministério do Trabalho divulgou nota negando que Lupi tivesse usado a aeronave modelo King Air.

Fotos. Na segunda-feira, o ministro foi desmentido com a divulgação de fotos dele saindo do avião por um site do Maranhão. Além do King Air, Lupi usou na viagem de três dias ao Maranhão (entre 11 e 14 de dezembro de 2009) uma aeronave modelo Sêneca. O voo teria sido bancado por um empresário maranhense, cujo prenome é Pedro, que pede para não ser identificado.

Em uma sessão esvaziada da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, Lupi falou por três horas em tom humilde e bem mais contido do que o seu depoimento na Câmara. Dos três senadores de seu partido, dois defenderam sua saída. "Os fatos são graves e estão a merecer uma maior investigação. Politicamente precisamos de algumas verdades. Não temos mais condições de exercer esse ministério. Nós do PDT devemos nos apear", disse o senador Pedro Taques (MT). Cristovam Buarque (DF)foi na mesma linha. Acir Gurgacz (RO) saiu em defesa de Lupi. Nenhum governista apareceu.

Lupi reclamou da imprensa. "Nenhum ser humano é dono da verdade absoluta. Não podemos viver numa sociedade onde se condenam as pessoas sem provas", disse o ministro./ EUGÊNIA LOPES, CHRISTIANE SAMARCO e ANDRÉA JUBÉ

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