Lula volta a ser internado com inflamação na garganta

Em tratamento contra um câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi internado ontem no Hospital Sírio-Libanês. A informação foi divulgada pela colunista Sonia Racy no estadão.com.br.

O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h03

Segundo boletim médico do hospital, Lula passou por uma avaliação após reclamar de perda de apetite e fadiga. "Foi constatada apenas presença de inflamação de mucosa da laringe e do esôfago, decorrente da radioterapia", diz o texto. "A equipe médica optou por internação hospitalar para observação e intensificação das medidas de suporte nutricional, fisioterápicas e fonoaudiológicas." O boletim informa que o estado de saúde do ex-presidente é bom e o cronograma da radioterapia não será alterado.

Lula vem sendo submetido a radioterapia desde 4 de janeiro, tratamento que será encerrado na sexta-feira. No sábado, a escola de samba Gaviões da Fiel leva ao sambódromo enredo em homenagem ao ex-presidente. A agremiação reservou lugar para Lula desfilar, mas a decisão depende de autorização médica.

O câncer foi diagnosticado no fim de outubro. Em novembro, o ex-presidente passou pela primeira de três sessões de quimioterapia, que reduziram o tumor em cerca de 75%.

Anteontem, Lula não pôde ir à festa de 32 anos do PT, em Brasília. O ex-presidente enviou uma carta em que dizia que o tratamento havia entrado "na etapa final" e que deveria "manter a disciplina seguida até agora, para que a cura seja completa".

Normalidade. Médicos do Hospital A.C. Camargo ouvidos pelo Estado explicaram de modo genérico que é normal pacientes com câncer de laringe apresentarem inflamações desse tipo durante a radioterapia.

A aplicação focada dos raios na laringe acaba provocando, a partir da terceira semana, uma inflamação chamada mucosite na cavidade oral da boca e na faringe. O resultado são dores, ardência e dificuldade para engolir, o que acaba inibindo o apetite.

"Às vezes, se o paciente está sentindo dor demais, é preciso recorrer a vias alternativas para ele se alimentar, com sonda e hidratação intravenosa", afirma o oncologista clínico Thiago Bueno. É normal, portanto, a pessoa ficar fraca e perder peso.

O fundamental é evitar que essa perda não supere os 10% do peso do paciente. "Menos nutrido, o paciente fica mais suscetível a inflamações", explica o radioterapeuta Douglas Guedes de Castro. Segundo ele, esses efeitos colaterais não têm relação com o resultado do tratamento em si. / RAMON VITRAL E GIOVANA GIRARDI

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