Lula vai dar abraço simbólico na Petrobrás para ajudar Dilma

Dilma não participará, mas campanha está negociando a presença dos quatro candidatos ao governo do Rio que integram a base aliada

VERA ROSA e TÂNIA MONTEIRO, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 16h57

BRASÍLIA - Um abraço simbólico na Petrobrás, na próxima segunda-feira, 15, marcará a nova fase da campanha da presidente Dilma Rousseff, a 20 dias da eleição. Em mais uma ofensiva para se contrapor à candidata do PSB, Marina Silva, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará na comissão de frente da manifestação, que terá como mote "a defesa do pré-sal e da Petrobrás".

Dilma não participará do ato, mas tudo foi planejado para criar uma agenda de impacto na campanha petista, desviando o foco das denúncias feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa - preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal - sobre um esquema de corrupção na empresa.

Pelo roteiro traçado, Lula e também candidatos ao governo do Rio, além de representantes de centrais sindicais e movimentos sociais, sairão da Cinelândia, por volta de 11 horas, com destino à sede da Petrobrás. Lá, todos darão um grande abraço na estatal. A manifestação ocorrerá após Marina acusar o PT, na quinta-feira, 11, de pôr na Petrobrás um diretor para "assaltar" os cofres da empresa. Para Dilma, a declaração foi "leviana e inconsequente". 

Na tentativa de desgastar sua principal adversária, a presidente interpretou as poucas linhas dedicadas por Marina ao pré-sal, no programa de governo, como sinal de que ela "não dará prioridade" ao tema, prejudicando, assim, investimentos previstos para educação e saúde.

A ex-ministra do Meio Ambiente acusou o PT de usar o pré-sal como "cortina de fumaça" para esconder os escândalos na Petrobrás e disse que os petistas agem dessa forma porque "estão desesperados".

Mutirão. A presença dos quatro candidatos da base aliada ao governo do Rio (Luiz Fernando Pezão, do PMDB; Lindbergh Farias, do PT; Anthony Garotinho, do PR, e Marcelo Crivella, do PRB), no ato convocado para dar um abraço na Petrobrás, ainda está sendo negociada pelo comitê da reeleição.

Articuladores da campanha de Dilma tentam convencer os candidatos fluminenses a dar uma trégua nas divergências, sob o argumento de que a manifestação renderá dividendos para a imagem de todos. Ainda na segunda-feira, Dilma receberá o apoio de artistas e intelectuais, em ato que ocorrerá à noite, no Teatro Oi-Casa Grande, no Leblon, com a presença de Lula. Antes, ela participará do lançamento do livro Um País chamado Favela.

Festa. O Palácio do Planalto e o comitê da reeleição comemoraram nesta sexta-feira o crescimento de Dilma nas pesquisas. Ministros e dirigentes do PT também avaliaram que a estratégia de atacar Marina surtiu efeito e deve ser ampliada. Na pesquisa CNI-Ibope, divulgada hoje, Dilma ampliou a distância de Marina e aparece agora com 39% das intenções de votos. A ex-ministra do Meio Ambiente está com 31% e Aécio Neves, do PSDB, com 15%. Na simulação do segundo turno, haveria empate técnico entre Dilma e Marina.

Por esse levantamento, Marina teria 43%, apenas um ponto a mais do que a presidente, com 42%. Nos trackings do PT, no entanto, Dilma ultrapassou Marina no segundo turno. Se a eleição fosse hoje ainda haveria empate técnico, dentro da margem de erro da pesquisa, mas a distância entre as duas seria de no máximo quatro pontos porcentuais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.