Lula vai a Salvador com promessa de recepção calorosa

Presidente cumpriu a promessa de não aparecer na capital baiana, para não influenciar na eleição

Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2008 | 18h48

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcar em Salvador (BA), na manhã desta terça-feira, 28,  para a 11.ª Cimeira (ou Cúpula) Brasil-Portugal, vai encontrar um clima amistoso que não se vê há meses na capital baiana. Mais especificamente, desde a última visita de Lula à cidade, no fim de julho. De lá para cá, o presidente cumpriu a promessa de não aparecer na capital baiana, para não influenciar na eleição. E a relação entre o PT e o PMDB, os dois maiores grupos apoiadores do governo federal, na Bahia, piorou progressivamente, por causa da eleição municipal soteropolitana. Apesar dos fortes ataques promovidos entre petistas e peemedebistas e do iminente afastamento de suas lideranças, por causa da eleição estadual em 2010, as duas partes concordam que quem venceu, na cidade, foi o presidente. "Só o fato de Walter Pinheiro (PT) e João Henrique (Carneiro, PMDB) terem chegado ao segundo turno é uma sinalização clara que a população aprova e apóia a administração do presidente Lula", acredita o governador Jaques Wagner. "Ele (Lula) é o grande vencedor desta eleição", concorda o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.  Com a nova configuração política resultante da reeleição de Carneiro, com 58,46% dos votos, Wagner e Geddel, ainda aliados na administração estadual, passam a polarizar a política no Estado e já não escondem a possibilidade de afastamento político. Apesar disso, são presenças certas - junto com o prefeito reeleito - na recepção a Lula. "Vamos recepcioná-lo com grande alegria, claro", diz Carneiro. "Temos uma grande aliança com o governo federal na administração da cidade, e queremos aprofundá-la ainda mais." O prefeito reeleito aproveitou o dia após a eleição e o feriado antecipado do Dia do Servidor Público para descansar da maratona eleitoral que o fez perder 11 quilos desde o início da campanha. No fim da tarde, reuniu jornalistas, em sua casa, no bairro de Alphaville, para falar sobre seus novos planos.  Sobre seu segundo mandato, que se inicia no ano que vem, disse que vai focar o trabalho na "excelência administrativa da gestão pública". "Precisamos focar nossos esforços, agora, em aumentar a arrecadação da prefeitura, para que possamos investir mais em obras e projetos que são necessários e para fazer nossa lição de casa para lidar com essa crise mundial que nos ronda", avalia. "Criamos uma série de mecanismos no PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) para aumentar a base de contribuintes, porque não queremos aumentar a taxa de impostos para quem já paga os tributos, mas precisamos atrair mais empresas, precisamos dar uso produtivo aos terrenos baldios, que vão pagar IPTU, até para dar mais oportunidades de trabalho e renda para a população." Para atingir o objetivo, o prefeito afirma que vai lançar mão da experiência do vice-prefeito eleito, Edvaldo Brito. "Ele é um dos melhores advogados tributaristas do Brasil, se não for o melhor", afirma. "Com seu conhecimento, vamos conseguir."  DEM  Carneiro nega que haja, no primeiro momento, intenção de promover grandes reformas em seu secretariado, mas há novos parceiros políticos, como o Democratas (DEM) - que deu apoio total ao prefeito no segundo turno - de olho em eventuais novas vagas. É quase certo, por exemplo, que o partido deve indicar o titular de uma nova pasta a ser criada, por compromisso de campanha de Carneiro, a da Prevenção à Violência. O prefeito assumiu a proposta como condição do DEM para consolidar a aliança entre os partidos. Os acordos, porém, ainda são tratados de forma indireta. "Nossa parceria foi restrita ao segundo turno da eleição e não envolveu nenhum tipo de promessa de cargos", afirma Carneiro. "Eu e o partido queremos ajudar, mas quem vai decidir a forma como será essa ajuda é o prefeito", acrescenta Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), que ficou em terceiro no primeiro turno da eleição, com 26% dos votos, e depois passou a apoiar a candidatura de Carneiro. O presidente estadual da legenda, o ex-governador Paulo Souto, é um pouco mais direto quando o tema é a participação do DEM na prefeitura soteropolitana. "Queremos que o prefeito se sinta livre para escolher os melhores para assessorá-lo", afirma. "Não exigimos nada, em termos de cargos, para dar nosso apoio, mas é preciso dizer que o Democratas tem quadros excelentes, que podem dar sua contribuição à prefeitura."

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