Lula suspende viagens e começa tratamento hoje

Necessidade de quimioterapia para combater câncer de laringe faz ex-presidente cancelar deslocamentos até o fim de janeiro

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2011 | 03h04

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva suspendeu sua agenda de viagens nacionais e internacionais dos próximos três meses para se dedicar ao tratamento do tumor diagnosticado em sua laringe. Os compromissos estão cancelados até o fim de janeiro de 2012, segundo informou ontem a assessoria de Lula.

O ex-presidente começa hoje, às 9 horas, o tratamento médico. Ele passará o dia todo no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde permanecerá internado até amanhã de manhã. Para hoje, está marcada a primeira sessão de quimioterapia. Os médicos ainda não decidiram se o presidente passará por radioterapia.

"Primeiramente, quimioterapia, como foi determinado pelos oncologistas. Mas amanhã é que a gente vai traçar todos os planos", afirmou ontem o médico pessoal de Lula e diretor de cardiologia do Sírio-Libanês, Roberto Kalil, que foi ao apartamento do ex-presidente em São Bernardo do Campo para o que classificou como "uma visita de amigo".

Uma das viagens que Lula cancelou tinha a Venezuela como destino. Ele iria se encontrar com o presidente Hugo Chávez, que ontem divulgou nota de solidariedade ao amigo. "Lula, irmão, viveremos e venceremos!", diz a nota de Chávez, que também passa por tratamento contra o câncer. Ontem, Lula também foi homenageado pelo Corinthians, no Pacaembu, antes da partida contra o Avaí. Os jogadores entraram em campo com uma faixa de apoio ao ex-presidente.

Segundo Kalil, Lula está "tranquilíssimo", além de "bem-humorado" e "confiante". O médico disse que seu paciente ainda apresenta um pouco de rouquidão, mas sobretudo pelo incômodo provocado pelos exames. Ele disse que, na avaliação dos oncologistas, o ex-presidente não corre o risco de perder a voz.

O resultado da biopsia pela qual Lula passou ainda vai demorar "alguns dias", segundo Kalil. O material colhido foi enviado ao exterior para análise, procedimento considerado como "rotina" pelo médico.

Transparência. Kalil afirmou que, a pedido de Lula, o oncologista Luiz Paulo Kowalski explicará hoje por que a equipe médica decidiu por um tratamento de quimioterapia e descartou, ao menos por ora, uma intervenção cirúrgica. Segundo ele, Lula não participou da decisão. "Ele respeita extremamente a conduta médica, como sempre fez."

Segundo o médico, o histórico de câncer na família de Lula pode estar relacionado com o tumor. A mãe e dois irmãos do ex-presidente também tiveram a doença.

Kalil disse que Lula pediu aos médicos transparência com a sociedade. Ele sustentou que foi o próprio Lula quem solicitou que descesse para falar com os jornalistas. "Ele fez questão de colocar exatamente tudo o que aconteceu. Eu não viria, iria sair pela garagem. Ele fez questão de que eu conversasse com vocês."

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