Lula se transformou em 'arauto da tragédia', diz FHC

Lula se transformou em 'arauto da tragédia', diz FHC

Dilma, segundo ele, mereceria um Prêmio Nobel pela incompetência na economia

Ângela Lacerda, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 17h26

RECIFE - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou, nesta quinta-feira, 23, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula de Silva tenha se transformado em "arauto da tragédia" e criticou a tática petista de "demonizar o passado" através da tentativa de desconstrução das gestões tucanas, "denegrindo a história". "Não precisava jogar pedra no passado, mas se tornou uma obsessão do presidente Lula", disse Fernando Henrique em entrevista a Geraldo Freire, no programa Supermanhã, da Rádio Jornal, do Recife.


"Um detalhe", contou. "Quando deixei o governo, fui para a Europa e o presidente Lula passou pela Europa. (Ele) me telefonou e disse que um companheiro queria falar e o ministro Pallocci  (Antonio Palocci, da Fazenda) agradeceu por tudo que meu governo fez. Este era o clima". FHC lembrou que Lula se empenhou, na transição, para que Armínio Fraga continuasse na presidência do Banco Central. "Não foi possível porque eles tinham criticado muito o Armínio, mas houve um compromisso de toda a diretoria passar um ano para garantir a transição com estabilidade".

Ele lembrou conhecer Lula desde que era líder sindical. "Ia à casa dele, Lula e Marisa passaram pela minha casa de praia. Fico triste de ver como uma pessoa se transformou tanto para ser arauto da tragédia".

Para o ex-presidente, a presidente Dilma Rousseff mereceria um "Prêmio Nobel por tanta incompetência" na economia. Ao rebater as acusações petistas de que o Brasil quebrou três vezes nas gestões tucanas, ele lembrou que o País estava quebrado quando ele foi ministro da Fazenda (1992/1993, no governo Itamar Franco). "Tiramos o País da moratória", frisou. 

FHC disse não se lembrar de três, mas de duas vezes em que recorreu a empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma das vezes, segundo ele, para garantir que o presidente Lula tivesse condição de governar ao assumir o seu primeiro mandato, em 2003.  "Pedi empréstimo com anuência expressa do Lula", afirmou, ao criticar a "má fé extraordinária", da presidente Dilma, de "repetir isso só para a campanha eleitoral".

"Fico triste", afirmou, ao destacar que a presidente Dilma "tem mais integridade". Para ele, existe uma "má-fé impressionante da campanha de Dilma". Afirmou que ao insistir nos "escândalos do PSDB", a presidente  se referiu duas vezes à "Pasta Rosa", que "ninguém lembra mais" do que se trata. Ele observou que na intervenção do Banco Econômico pelo Banco Central foi encontrada uma pasta rosa com uma relação de pessoas que seriam beneficiadas pela instituição. "Mas eram de campanhas antes da minha eleição. Nada a ver comigo e com o PSDB", destacou, queixando-se da "técnica" petista de "repetir até virar verdade".

O ex-presidente reconheceu, na entrevista, que os governos do PT foram mais favoráveis ao Nordeste. "Não tenho dúvida, a conjuntura era mais favorável, estenderam os programas sociais", afirmou, ao condenar as acusações da campanha adversária de que o PSDB é contra o Nordeste. "Não tem nenhum sentido, é eleitoreiro e perigoso", rebateu, ao frisar que o seu vice-presidente era Marco Maciel, um pernambucano, e que no seu governo foram iniciados programas de combate à seca e o Bolsa Escola, entre outros programas sociais, além de ações para geração de energia e construção dos portos de Suape (PE) e Pecém (CE) na região.

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