Lula ressalta democracia, e FHC, 'reconciliação'

Os 4 ex-presidentes da pós-ditadura participaram da cerimônia de instalação da Comissão da Verdade a convite de Dilma; petista foi o mais aplaudido

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h48

Dos quatro ex-presidentes que compareceram ontem à cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, no Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva foi o mais aplaudido. Antes de cair no choro, a presidente Dilma Rousseff chegou a interromper as apresentações para engrossar a claque, gesto que não repetiu aos demais convidados, embora tenha citado até mesmo a contribuição do ex-presidente Fernando Collor em seu discurso.

"Esta é a única Comissão da Verdade do mundo que surgiu de baixo para cima; do povo para o povo", disse Lula, com a voz em tom baixo por causa do tratamento contra câncer na laringe.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também elogiado no discurso de Dilma, devolveu o afago. "Ela está tratando o assunto como deve ser: uma questão de Estado, e não de política. Reconheceu que cada um fez um pedacinho", disse FHC. "Nós enfrentamos um longo processo para chegar até aqui, no sentido de buscar a verdade e, ao mesmo tempo, de abrir as portas para uma reconciliação."

O cerimonial temia vaias a Collor, que sofreu impeachment em 1992, no rastro de denúncias insufladas pelo PT, e hoje é aliado do governo no Senado. Dilma, porém, criou uma vacina contra possíveis constrangimentos ao mencionar que, sob Collor, abriram-se arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo e do Rio. "Tratamos aqui do fim de um processo que começou lá atrás e a presidente Dilma deixou a todos nós muito emocionados", disse Collor, diante de uma plateia formada por ministros, parlamentares, parentes de desaparecidos políticos e comandantes das Forças Armadas.

Grupo seleto. Após a cerimônia, Dilma recebeu Lula, Fernando Henrique, Collor, José Sarney, ministros e os sete integrantes da Comissão da Verdade para um almoço no Palácio da Alvorada. O alvo do trabalho do grupo deve ser mesmo a investigação das violações de direitos humanos cometidas por agentes de Estado durante a ditadura (1964-1985). "Essa investigação não tem como objetivo botar ninguém na cadeia, mas impedir que fatos como os que ocorreram não se repitam", insistiu FHC. Com o mesmo argumento, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que "há muita coisa a ser esclarecida". E arrematou que a comissão é "autônoma". "O governo não vai interferir em absolutamente nada", garantiu.

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