O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h06

A privatização dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília não é exatamente uma ruptura com a linha administrativa adotada pelos governos do PT, mostra levantamento feito pelo economista Felipe Salto, da Consultoria Tendências. Nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, as receitas de privatizações e concessões somaram R$ 15,8 bilhões, metade do amealhado no governo de Fernando Henrique Cardoso, que foi R$ 31,45 bilhões.

Esses valores não consideram a inflação. Colocados em pé de igualdade, tendo como referência dezembro de 1997, as privatizações do governo tucano somaram R$ 28,3 bilhões ante R$ 8,2 bilhões das de Lula.

Dilma conseguiu, só no primeiro leilão, R$ 24,5 bilhões. "Embora o ápice das privatizações e concessões tenha ocorrido no governo FHC, elas continuaram acontecendo no governo Lula. Então talvez não seja ruptura, e sim continuidade, estimulada por questões externas, como a Copa e a Olimpíada, que levam o governo a buscar meios de aumentar os investimentos", analisou o economista.

O levantamento mostra que Lula não deixou de obter receitas com concessões em nenhum ano. O maior volume foi recolhido em 2008: R$ 6,1 bilhões. Em seu primeiro ano de governo, Dilma registrou o ingresso de R$ 3,9 bilhões em recursos de receitas da concessão.

Salto acredita que os concessionários dos novos aeroportos poderão antecipar pagamentos ao Tesouro porque o edital prevê que o BNDES poderá financiar até 80% do empreendimento. O financiamento pesado abre espaço para que as empresas negociem descontos para pagamento antecipado. "Isso é uma forma de impactar pesadamente o caixa do Tesouro", observou. Num ano em que o Executivo encontra dificuldades para fechar as contas, essa manobra pode ajudar.

Essa hipótese foi levantada também por Fernando Montero, economista-chefe da corretora Convenção Tullet Prebon. Ele lembrou que o governo FHC recebeu antecipadamente, em 1999, receitas da venda da Telebrás, ocorrida um ano antes. O dinheiro serviu para melhorar o resultado das contas públicas num ano de recessão.

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