Lula promete entrar de vez na campanha de Haddad em maio

Em jantar na quarta-feira, ex-presidente disse ao candidato, em baixa nas pesquisas, que já está pronto para ajudá-lo

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h01

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começará a participar de atos públicos ao lado do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, a partir da segunda quinzena de maio. Lula discutiu a estratégia de campanha com Haddad durante jantar na quarta-feira, em Brasília.

O plano do ex-presidente consiste em concentrar esforços na capital paulista, nos próximos dois meses, para ajudar o afilhado político a fechar as alianças que sustentarão sua candidatura. Depois de um dia de conversas com a presidente Dilma Rousseff - no qual garantiu não precisar acertar ponteiros com a sucessora porque o relacionamento de ambos é como "relógio suíço" - Lula se reuniu com Haddad em um hotel, ao lado do Palácio da Alvorada. Com cabelos e barba crescendo após o tratamento para combater um câncer na laringe, ele disse que se sente bem melhor e, por isso, só pretende tirar férias em julho.

Os próximos dois meses são definidos como "cruciais" pelo comando da campanha de Haddad. Lula entrará em campo justamente nesse período para tirar a candidatura do isolamento e costurar as alianças. Os petistas estão confiantes no apoio do PSB, do PC do B e do PR.

Lula negocia a dobradinha com o PSB - que em São Paulo é aliado do PSDB de José Serra - diretamente com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente da legenda. Petistas acreditam que a deputada Luiza Erundina (PSB), ex-prefeita, seria ótima vice e faria composição perfeita com Haddad por ter trânsito na periferia e nos movimentos populares. Ainda no Ministério da Educação, Haddad revelou a poucos interlocutores que Erundina era sua vice "dos sonhos". No entanto, com Lula ainda negociando a aliança com o PSD de Gilberto Kassab, o então ministro não via espaço para ir contra os desejos de seu padrinho político.

Haddad é a aposta do PT para quebrar as resistências ao partido na classe média, mas enfrenta dificuldades entre eleitores de baixa renda. Pesquisas internas em poder do comando da campanha mostram que ele começou a crescer, mas ainda está longe de alcançar Serra. Antes de acompanhar Lula na viagem de volta a São Paulo, ontem, Haddad fez uma visita surpresa ao Ministério da Educação, cumprimentou funcionários e se reuniu com o atual titular, Aloizio Mercadante. / COLABOROU LISANDRA PARAGUASSÚ

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