Lula pede menos adjetivos; ministros vão para campanha

Ex-presidente reclama de comparação de Marina a Collor; estratégia é reformulada e auxiliares de Dilma deixam cargos para buscar mais apoios

Ricardo Galhardo, Vera Rosa e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 03h00

A um mês da eleição, a campanha de Dilma Rousseff passa por um rearranjo. Luiz Inácio Lula da Silva condenou as recentes propagandas de TV que comparavam a adversária Marina Silva a Jânio Quadro e Fernando Collor e pediu o fim da “adjetivação” da ex-ministra do Meio Ambiente. Ontem, os ataques não estavam no programa de TV. Ao mesmo tempo, o PT busca mobilizar o comitê atrás de apoio de setores da sociedade. Para isso, a partir da semana que vem, os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) e Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) devem se afastar de seus cargos para integrar a coordenação da campanha.

A participação dos ministros do PT na campanha foi discutida na noite de terça-feira em duas reuniões realizadas em Brasília. Os petistas querem uma aproximação com a Igreja Católica e com movimentos sociais. O trabalho ficará nas mãos de Gilberto Carvalho.

O ministro cumpriu o mesmo papel no fim do 1.º turno da disputa de 2010, quando era chefe de gabinete do então presidente Lula e Dilma enfrentava dificuldades no confronto com José Serra (PSDB) por causa da polêmica em torno do aborto. Marina é evangélica e a campanha do PT também está fazendo "pontes" com as igrejas pentecostais.

Gaúcho e amigo da presidente, o ministro Miguel Rossetto, por sua vez, terá a missão de atrair o apoio de pequenos agricultores. Já Berzoini ajudará a campanha na difícil interlocução com o PT e com partidos da base aliada. Ele tentará, ainda, obter o apoio de possíveis dissidentes do comitê tucano.

Não é. A questão do tom a ser usado nos programas de TV também está em discussão. Depois de ver a propaganda que comparava a candidata do PSB aos presidentes que não terminaram seus mandatos, Lula comentou com integrantes do comitê que "Marina não é Collor" e disse que a estratégia de "adjetivar" a adversária é ineficaz.

Para o ex-presidente, a campanha de Dilma deve explorar fragilidades "concretas" da ex-ministra, principalmente supostas incongruências no programa de governo do PSB. Análises internas mostraram que o recuo de Marina em relação aos direitos homossexuais foram mais prejudiciais à candidata do que os ataques petistas.

O PT e o Instituto Lula esquadrinharam o documento e encontraram diversos pontos a serem explorados. O objetivo, de acordo com um dirigente petista, é "espremer Marina para ver se sai caldo". Ainda ontem, o site Muda Mais, criado pelo PT para defender a reeleição de Dilma, postou um texto no qual acusa o programa de Marina para a área de energia de ser um "plágio" de artigo publicado em 2011 pela Revista USP. Aécio já havia criticado Marina por ter copiado, em seu programa, trechos do Plano Nacional de Direitos Humanos lançado no governo Fernando Henrique Cardoso.

"Agora entende-se porque houve tantas erratas desde o lançamento de seu programa de governo: o CtrlC + CtrlV foi tamanho que alguns detalhes passaram despercebidos", ironizou o site que dá sustentação à campanha de Dilma.

Lula disse aos aliados que mais do que comparações com políticos do passado, o eleitorado está interessado em saber as propostas dos candidatos para resolver os problemas do dia a dia e, portanto, o campo de disputa não é o da política institucional, mas o dos projetos.

O ex-presidente defende a estratégia de mostrar que os problemas do Brasil são muito complexos para serem resolvidos apenas com teses acadêmicas ou discursos conceituais.

O alvo central do PT é a área econômica do projeto do PSB, exaustivamente estudado e cotejado com dados oficiais. A ideia dos petistas é repetir a estratégia usada no início da campanha, quando a polarização era com o tucano Aécio Neves, e o PT explorou entrevistas do próprio tucano e de seu conselheiro econômico, Arminio Fraga, para dizer que o modelo proposto pelo adversário acarretaria aumento do desemprego. / COLABORARAM RICARDO BRITO, RAFAEL MORAES MOURA e TÂNIA MONTEIRO

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