Lula pede à CUT compreensão com Dilma

Articulador da reeleição, petista enfatiza, em festa de 30 anos da central, que governo mantém diálogo democrático com os trabalhadores

FERNANDO GALLO , ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h13

Empenhado em reeleger a presidente Dilma Rousseff em 2014, o seu antecessor e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a cerimônia de comemoração dos 30 anos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizada ontem, em São Paulo, para pedir compreensão aos movimento sindicais caso o governo federal não consiga atender a todas as reivindicações da pauta dos trabalhadores.

"Eu sei que muitas vezes o movimento sindical fica nervoso, fica irritado e com razão. Mas eu acho que o mais importante não é apenas o resultado, é o fato de o governo, da forma mais democrática possível, como a presidenta Dilma vem fazendo, sentar com o movimento e discutir", disse Lula. "(As entidades) têm de cobrar do governo, mas têm de reconhecer também quando as coisas não podem acontecer", acrescentou.

A intervenção de Lula ocorre uma semana antes da "Marcha a Brasília", promovida pela CUT e por outras cinco entidades sindicais. O protesto, que pretende reunir cerca de 40 mil pessoas, tem o objetivo de pressionar o governo federal a atender as reivindicações da classe.

Na estratégia traçada pelo PT para garantir a permanência no poder, cabe a Lula o papel de articulador político, tanto para apaziguar os ânimos da base aliada como para promover a aproximação com os movimentos sociais. O ex-presidente foi um dos fundadores da CUT e começou a sua carreira política à frente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

Desde que assumiu a Presidência, Dilma não se envolveu diretamente na relação com movimentos sindicais e sociais, tarefa delegada ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Foi ele quem a representou no evento de ontem. Carvalho, no entanto, confirmou que a presidente vai se encontrar com as centrais na semana que vem. Essa será a primeira vez que Dilma vai receber, pessoalmente, a pauta de reivindicações dos trabalhadores.

Segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas, a expectativa é que se inicie um processo de diálogo com o governo e que os resultados dessa negociação sejam anunciados em 1.º de maio, Dia do Trabalho. "Vamos entregar uma pauta enxuta", afirmou. Entre os pontos considerados prioritários estão a redução da jornada de trabalho e o fim do fator previdenciário.

Delúbio. Ex-diretor da CUT, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, esteve ontem no evento. Ele e Lula não trocaram cumprimentos publicamente.

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