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Lula nega conhecer ou ter recebido Valério no Planalto

Após denúncia da revista 'Veja' desta semana, ex-presidente conversou com José Dirceu e disse que ficaria em silêncio

VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h05

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nega que tenha recebido o empresário Marcos Valério, pivô do escândalo do mensalão, no Palácio do Planalto ou na Granja do Torto. Em conversa com o governador da Bahia, Jaques Wagner, na noite de sexta-feira, Lula disse que nem conhece Valério.

"Tenho certeza de que esse cidadão nunca esteve com Lula. Posso garantir que isso é mentira", afirmou Wagner, numa referência à reportagem da revista Veja desta semana. Segundo a publicação, Valério confidenciou a amigos e parentes que Lula era o "chefe do mensalão" e que o caixa clandestino do PT foi de R$ 350 milhões, mais que o dobro da cifra descoberta pela Procuradoria-Geral da República depois que estourou o escândalo, em 2005.

Lula conversou com o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e com o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, nos últimos dois dias, e disse que ficaria em silêncio. A partir desta semana, o Supremo Tribunal Federal começará a julgar o "núcleo político" do mensalão e Dirceu é o réu mais emblemático, acusado de ser o "chefe da quadrilha" instalada no coração do governo.

"Sofremos um golpe baixo. É uma indignidade o que estão fazendo", afirmou Lula, em diálogo reservado, após saber do teor da reportagem de Veja.

'Pimenta'. Na avaliação do governador da Bahia, há uma tentativa articulada de adversários, com objetivos eleitorais, para carimbar o PT como partido de bandidos. "Não somos santos, mas também não somos marginais".

Wagner externou a avaliação feita por muitos petistas, inconformados com o que chamam de "politização" do julgamento. "Todo julgamento deveria ser frio, mas esse recebeu muita pimenta, para reaquecer a crise de 2005", constatou. "Mesmo assim, não acho que haverá um tsunami com a decisão do Supremo, até porque o julgamento político-eleitoral do PT já ocorreu nas eleições de 2006, 2008 e 2010. A cassação do Zé Dirceu, por exemplo, foi muito mais forte."

Questionado sobre a cifra de R$ 350 milhões, Wagner disse não saber quanto o PT arrecadou para as campanhas municipais de 2004. "Aliados ficaram irritados porque não receberam a ajuda prometida. Prometeram mais do que conseguiram."

A portas fechadas, dirigentes do PT dão como certas as condenações de Dirceu e de Delúbio Soares, ex-tesoureiro, e discutem como será o futuro do partido com seus líderes fora de combate. Alguns consideram que o ex-presidente do PT José Genoino, assessor do Ministério da Defesa, pode ter pena mais branda.

Apesar da preocupação da cúpula petista com o veredicto, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse que notícias sobre o mensalão não causam impacto em sua campanha. "Quem tem a biografia honrada que eu tenho não tem medo de nada", argumentou o ex-ministro da Educação.

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