Lula lidera articulação para minar união do PSB com tucanos em SP

Para atrair o governador Eduardo Campos (PE), ex-presidente prometeu apoiar candidatos do PSB em cidades do interior

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h06

Depois de flertar com o PSD, com quem abriu conversas por uma possível aliança nas eleições municipais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início a uma ofensiva sobre o PSB, outro partido que em São Paulo integra a base do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Lula pretende atrair os socialistas para a chapa do ex-ministro da Educação Fernando Haddad e, dessa forma, desorganizar o campo adversário.

Após passar pela fase mais aguda do combate ao câncer, o ex-presidente retomou as atividades de articulação política e entrou em cena para liderar as negociações eleitorais de 2012.

Na última segunda-feira, Lula almoçou com o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, de quem é amigo. Traçou cenários eleitorais no País e acenou com a possibilidade de o PT abrir mão de candidaturas para apoiar o PSB em algumas cidades.

O presidente do PT paulista, deputado Edinho Silva, afirma que os petistas têm um "enorme interesse" em uma composição. "Temos que ampliar o diálogo e ver não só onde o PSB pode apoiar o PT, mas onde podemos apoiar o PSB."

Na semana passada, Lula recebeu em São Paulo o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. A interlocutores, o ex-presidente disse que Amaral manifestou a preferência por acordo com PT em São Paulo. "Disse a ele que deveríamos tentar manter a lógica de apoios do governo federal. Mas isso não é uma camisa de força", minimiza Amaral.

São Paulo. No Estado de São Paulo, setores do PT estão dispostos a conversar sobre apoios em Campinas, São Vicente e Taboão da Serra, cidades consideradas estratégicas pelo PSB.

O caso campineiro, o mais difícil de equacionar, dependeria de um retrocesso dos avançados entendimentos entre PSB e PSDB. Os tucanos estão em vias de anunciar apoio ao socialista Jonas Donizette. Uma aliança dependeria também do convencimento de parte do PT que defende a candidatura própria.

Em São Vicente e Taboão da Serra, atualmente comandadas pelo PSB, o PT apoiaria os socialistas em suas campanhas.

A principal dificuldade a ser enfrentada em São Vicente é o próprio partido, que compõe a base do governo Geraldo Alckmin. Seu presidente, Márcio França, é secretário de Turismo. Ele é tido como possível candidato na cidade, seu reduto eleitoral. Se não sair, ele deve indicar seu filho, Caio França. Um acordo com o PT nas eleições colocaria em xeque o lugar do PSB no governo estadual.

PDT. Há duas semanas, Lula esteve com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que solicitou o encontro. No Hospital Sírio-Libanês, onde o ex-presidente passa por sessões diárias de radioterapia, ambos conversaram por uma hora e meia. Trataram de eleições municipais e acertaram ver onde PT e PDT caminhariam juntos.

O presidente do PDT-SP, deputado Paulinho da Força, continua garantindo que será o candidato do partido na capital. Mas um pedetista próximo de Lupi avalia que a atuação de Lula pode mudar o cenário. "Se o Lula entrar com força, acredito que o Lupi fecha com o Haddad."

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